Quem permitir continuidade da discussão do pacote laboral está a trair trabalhadores diz CGTP

Quem permitir continuidade da discussão do pacote laboral está a trair trabalhadores diz CGTP

O secretário-geral da CGTP avisou hoje que os partidos que permitirem, na sexta-feira, com o seu voto, a continuação da discussão do pacote laboral estão a trair a vontade dos trabalhadores e prometeu responsabilizá-los.

Lusa /
Pedro A. Pina - RTP

"[...] Todos os deputados e partidos que, com o seu voto favorável ou abstenção, permitirem a continuidade da discussão do pacote laboral estão a trair a vontade dos trabalhadores", afirmou o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, que falava aos jornalistas em frente à Assembleia da República, em Lisboa, onde decorria um protesto organizado pela intersindical, no mesmo dia em que a proposta esteve em discussão em São Bento.

A central sindical adiantou que estará, esta sexta-feira, presente nas galerias do parlamento, à semelhança do que aconteceu hoje, e prometeu responsabilizar todos os partidos que viabilizarem a reforma laboral.

"De uma forma ou de outra, o documento será votado amanhã [sexta-feira]: ou será votado na generalidade ou será votado um requerimento para que não haja votação e desça à especialidade. O documento só não será derrotado amanhã, se os partidos permitirem que ele continue a sobreviver", apontou.

Tiago Oliveira deixou ainda críticas a quem está a fazer uma "leitura enviesada" da proposta de revisão da lei laboral, tentando passar a imagem de que, com a alteração de uma ou outra medida, ela se consiga transformar em algo "menos mau".

O líder da intersindical destacou que o que está em cima da mesa possibilita que um jovem trabalhador seja precário toda a vida e insistiu que os trabalhadores acreditam num mundo diferente.

A CGTP deixou ainda a garantia de que, caso a discussão do pacote laboral prossiga, a central sindical vai continuar a acompanhá-la e a posicionar-se, adiantando que exigirá ao Presidente da República, António José Seguro, que cumpra o posicionamento que assumiu durante a campanha eleitoral.

Seguro prometeu vetar uma proposta que não tivesse sido acordada em Concertação Social.

Largas centenas de pessoas concentraram-se hoje junto à Assembleia da República, em Lisboa, pela queda do pacote laboral, no momento em que a proposta esteve em discussão em plenário na generalidade.

Os manifestantes, munidos com bandeiras da CGTP, faixas, buzinas e vuvuzelas, gritaram palavras de ordem como: "Não vamos desistir, o pacote é para cair" e "Ninguém quis, ninguém quis, o pacote do Luís".

A UGT não participou na manifestação de hoje, mas esteve representada nas galerias da Assembleia da República, durante a discussão.

Tiago Oliveira desvalorizou esta ausência, afirmando que é "uma opção" e acrescentou que "todos, todos querem derrotar o pacote laboral".

A ministra do Trabalho defendeu hoje que a reforma laboral pretende "romper com a ideologia do empobrecimento", de modo a que "o trabalho seja mais produtivo e as empresas mais competitivas", responsabilizando o PS pelo "atual estado do país".

"Esta é uma reforma para romper com a ideologia do empobrecimento que nos trouxe até aqui e para relançar o país", afirmou a ministra do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, durante a sua intervenção inicial do debate, na generalidade, da proposta de lei de revisão da legislação laboral, que decorreu hoje na Assembleia da República.

Segundo a governante, a proposta visa "reforçar direitos", mas "também garantir que o trabalho seja mais produtivo e as empresas mais competitivas", dado que esse é o "único caminho" para "pagar melhores salários", defendeu, lembrando que o nível salarial do país está 35% abaixo da média europeia.

"E é um erro diabolizar o mundo empresarial", vincou.

O pacote laboral chegou ao parlamento após nove meses de negociação em sede de concertação social, que terminaram sem um acordo entre os parceiros e o Governo.

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