Raimundo avisa trabalhadores que não é tempo esperar e acusa ministra de fugir ao debate

Raimundo avisa trabalhadores que não é tempo esperar e acusa ministra de fugir ao debate

O secretário-geral do PCP avisou hoje os trabalhadores, sobre a greve geral da próxima semana, que "não é tempo de ficar à espera", e acusou a ministra do Trabalho de "fugir ao debate" porque o pacote laboral "é indefensável".

Lusa /
Francisco Romão Pereira - RTP

Esta posição foi assumida na intervenção de abertura do debate desta tarde em plenário, uma interpelação ao Governo, agendada pelo PCP, sobre as condições de vida dos trabalhadores e o pacote laboral, em que o executivo está representado pelo secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira.

Os comunistas tinham pedido a presença da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, o que não aconteceu, e a sua ausência foi notada por Paulo Raimundo, que a acusou de querer "fugir ao debate".

"Ficará para memória futura a falta, neste debate, da ministra do Trabalho, que tem agenda para andar por aí a vender essa peça de retrocesso, mas que entendeu fugir ao debate sobre esta aberração que é o pacote laboral. Fugiu ao debate porque a proposta do pacote laboral é indefensável e sempre que a ministra do Trabalho fala sobre ele, só acrescenta razões para o rejeitar", atirou.

Raimundo reiterou que a proposta do Governo não mexe em nada do que há de negativo no atual Código do Trabalho e tem como objetivo "piorar a vida de quem trabalha", e afirmou que os "poucos apoiantes deste assalto" a quem trabalha "criaram uma narrativa que repetem até à exaustão para se convencerem e tentarem convencer os outros".

Raimundo salientou ainda a luta dos trabalhadores contra o pacote laboral, perante o que considera ser "uma arrogância como há muito não se via" por parte do Governo.

"Achava que tinha uma passadeira estendida para impor o pacote laboral, pensou, achou, mas enganou-se. A luta travou-lhes o passo e os trabalhadores rejeitaram o conteúdo do pacote laboral", atirou, acrescentando, referindo-se à greve geral do próximo dia 03 de junho, que "não é tempo de ficar à espera".

E acrescentou: "O que vai determinar o fim deste confronto, o que vai decidir da derrota do vosso pacote laboral, é aquilo que sempre fez e faz andar o motor da história. A luta, a determinação, a coragem, a força e a unidade dos trabalhadores. No dia 03 de junho, todo o apoio à greve geral".

No período de pedidos de esclarecimento, o presidente do Chega, André Ventura, disse estar perplexo com a atuação do PCP neste assunto, argumentando que os comunistas criticam o Governo pelo resultado de políticas de executivo do PS apoiados pelo PCP.

A esta intervenção, Raimundo respondeu que Ventura "está um bocadinho entalado, porque quer continuar a enganar os trabalhadores ao mesmo tempo que sabe bem a quem serve", reiterando que o Chega "é um partido das cambalhotas".

Mariana Leitão, presidente da IL, alegou, com base em dados da OCDE, que Portugal tem um dos três mercados mais rígidos da organização e acusou Paulo Raimundo de querer tudo na mesma ou pior.

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