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Reconversão profissional pode ser solução para enfrentar desemprego depois dos 45

Reconversão profissional pode ser solução para enfrentar desemprego depois dos 45

Lisboa, 02 Jan (Lusa) - Milhares de trabalhadores por todo o país conhecem o drama do desemprego depois dos 45 anos. Começar de novo e enfrentar desafios nesta fase de vida não é tarefa fácil, mas a formação pode ser a via para o conseguir.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Até Outubro deste ano perto de 3.000 trabalhadores já foram alvo de despedimentos colectivos, um número que ultrapassou em 30 por cento o total de dispensados no conjunto de 2007, de acordo com dados da Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.

Ana Rita Ramos e Alberto Deus trabalhavam na indústria automóvel na região de Lisboa até à extinção dos seus postos de trabalho devido ao encerramento das unidades da Alcoa, no Seixal, em 2007 e da Opel, na Azambuja, em 2006.

Directora de Recursos Humanos da fábrica de cablagens para o sector automóvel Alcoa, Ana Rita Ramos tinha 54 anos quando, em 2007, foi comunicado aos trabalhadores que aquela unidade - que tinha como único cliente a Autoeuropa - iria encerrar.

"Não foi propriamente um choque. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde iria acontecer", recordou em entrevista à agência Lusa.

Mais de 30 anos de dedicação não foram assim suficientes para "segurar" o seu posto de trabalho e, juntamente com mais cerca de 600 trabalhadores, Ana Rita Ramos foi para casa, desempregada.

"Foi muito complicado no início, principalmente porque foi uma vida inteira sempre empregada no mesmo sítio", admitiu a ex-directora de Recursos Humanos, referindo, no entanto, que, pouco tempo depois, o facto de ter sido avó ajudou-a a "ocupar o seu tempo".

Já em Março deste ano, decidiu - com o apoio do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) - concretizar o "sonho" de terminar o 12º ano e enveredar por uma formação na área de contabilidade e gestão, que terminará em Outubro de 2009.

"Não penso muito no futuro nem no que vou fazer a seguir, mas gostava talvez de usar os conhecimentos que estou a adquirir e trabalhar com uma Organização Não Governamental. Mas não estou fechada a nada. Tento viver um dia de cada vez", confessou.

Em 2006, aos 48 anos e depois de 15 anos ao serviço da unidade da Opel, na Azambuja, Alberto Deus integrou também o grupo de mais de 1.300 trabalhadores que conheceram uma situação semelhante devido ao encerramento daquela fábrica.

Na altura, com ordenado superior a 2.000 euros, confessa ter sido "apanhado de surpresa", apesar da consciência da instabilidade que atravessa o sector automóvel.

"O que custou mais, a mim e aos meus colegas, foi ver passar o último carro", recordou Alberto Deus.

Já em casa, Alberto Deus viu-se a braços com "a falta de trabalho".

"Sente-se a falta, são anos a ir todos os dias para o mesmo sítio e à mesma hora. Durante muito tempo acordei à mesma hora de que estava habituado, mas na verdade não tinha nada para fazer", disse.

Depois de um ano a enviar o currículo e a responder a anúncios, com propostas salariais que não ultrapassavam os 600 euros, Alberto Deus procurou o IEFP com a ideia de apostar na área das energias renováveis.

Com uma licenciatura em engenharia, no ramo da energia, e depois de uma formação não comparticipada nesta área, apostou agora num curso de formação para projectista de sistemas solares térmicos, que terminou há 15 dias.

"A minha intenção é trabalhar por conta própria e abrir um gabinete para fazer projectos de sistemas solares térmicos. Vamos ver como corre", disse.

ICO

Lusa/Fim


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