Reivindicações "irrealistas" da Grécia deixam `reféns` relações UE-Turquia, diz vice-MNE turco

Reivindicações "irrealistas" da Grécia deixam `reféns` relações UE-Turquia, diz vice-MNE turco

A adesão da Turquia é um processo "vital" nas relações com a União Europeia, mas as reivindicações "irrealistas" da Grécia estão a tornar o processo refém das suas intenções, indicou hoje em Lisboa o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros turco.

Lusa /

"A perspetiva de adesão é vital nas relações entre a Turquia e a União Europeia", mas o "problema de Chipre" e as "reivindicações irrealistas e maximalistas da Grécia", estão a "tornar reféns as relações Turquia-UE", indicou Faruk Kaymakci perante os deputados da Comissão de Negócios Estrangeiros, presidida pelo deputado do PS Luís Capoula Santos.

"Devido às posições da Grécia e dos cipriotas gregos [República de Chipre, a `parte grega` da ilha e Estado-membro da UE desde 2004] não podemos melhorar as nossas relações em segurança e defesa, não podemos reforçar a cooperação mesmo na área das migrações, não podemos ter cooperação em energia", precisou.

Na quarta-feira, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que não voltará a reunir-se com os dirigentes gregos, que acusa de não "serem honestos", numa comprovação de um novo aumento da tensão entre os dois vizinhos, e ambos membros da NATO.

"Isto tem de terminar, tivemos já demasiada paciência, e a situação pode desembocar numa grave crise caso a situação persista. É assim necessário reforçar o diálogo entre a Turquia e a UE na área da energia, migrações, segurança, e continuar a tratar a Turquia como um país candidato à adesão", enfatizou o político turco, que também acumula o `dossier` das relações com a UE no ministério de Ancara.

A "marginalização da Turquia" voltou a ser recordada pelo responsável governamental, após Ancara não ter sido convidada a participar nos encontros promovidos por Bruxelas com os países candidatos dos Balcãs ocidentais, apesar de ter prometido o prosseguimento da cooperação.

"Não seremos como a Grécia, que por exemplo bloqueou durante 11 anos a adesão da Macedónia do Norte à NATO. Todos sabemos que talvez dentro de 20 anos o nome Norte deixará de ser usado numa referência à Macedónia, mas é usado hoje porque a Grécia insiste", disse Kaymakci numa alusão ao acordo de Prespa de 2019 que desbloqueou o longo contencioso entre Atenas e Skopje sobre o nome oficial da ex-república jugoslava.

Ainda numa referência à questão cipriota, a ilha dividida do Mediterrâneo Oriental, Faruk Kaymakci destacou que "a República de Chipre que a Turquia reconhece" consiste em "dois estados constituintes separados e internacionalmente reconhecidos", denunciou como "ilegal à luz do direito internacional" a adesão "da designada República de Chipre" à UE, e voltou a pugnar por uma solução, apesar das contínuas "chantagens" da Grécia, a expressão que utilizou.

"A sua solução é que representam o conjunto da ilha e que devem ser concedidos os direitos das minorias aos cipriotas turcos. Isso nunca acontecerá. Se estivermos interessados numa solução justa, devemos continuar a apostar nas negociações e encontrar uma solução concreta para este problema", prometeu.

Nas suas alegações sobre este tema, e dirigindo-se em particular aos Estados-membros da UE Finlândia e Suécia -- e quando Ancara ameaça vetar as suas intenções de adesão à NATO -- Faruk Kaymakci considerou que têm também por função "incentivar os nossos vizinhos gregos e cipriotas gregos a não abusarem demasiado na sua retórica contra países candidatos à adesão".

"É uma situação em que todos perdem", concluiu, ao justificar a intransigência de Ancara.

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