Repartições das finanças fechadas e muitas horas para atendimento em Lisboa

Repartições das finanças fechadas e muitas horas para atendimento em Lisboa

Repartições e tesourarias das finanças fechadas e muitas horas de espera para atendimento é hoje um cenário comum em Lisboa, apesar da maioria dos utentes terem conhecimento da greve da Função Pública.

Agência LUSA /

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, Manuel Alberto Silva, afirmou à agência Lusa que os dados apurados até às 13:00 apontavam para uma adesão à greve de cerca de 70 por cento a nível nacional.

Para o distrito de Lisboa, o dirigente sindical enumerou, a título de exemplo, o encerramento das repartições de finanças de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Loures 1, Lourinhã, Oeiras e Torres Vedras.

No Porto, das 33 repartições de finanças existentes, 22 estão encerradas, acrescentou.

No 10º Bairro Fiscal, em Lisboa, a adesão à greve foi de 25 por cento, a maior parte dos quais trabalhadores da Tesouraria, que se encontrava encerrada.

A total adesão dos trabalhadores da tesouraria à greve convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Impostos prende-se com a o descontentamento face à integração transferência dos serviços das Tesourarias de Finanças nos Serviços de Finanças, decidida o ano passado, afirmou à Lusa o chefe da repartição do 10º Bairro Fiscal.

A fraca adesão dos restantes trabalhadores foi explicada à Lusa por uma funcionária da repartição com a "falta de estofo financeiro".

Os trabalhadores discordam da decisão do Governo, sobretudo, no que diz respeito ao aumento da idade da reforma, mas consideram não ter capacidade financeira para fazer muitos dias de greve e desde o início do ano já realizaram três, explicou.

Segundo o chefe da repartição, foram sobretudo os funcionários com mais anos de serviço e já próximos da reforma que mais aderiram à greve.

"Aos 60 aos já ninguém tem cabeça para estar aqui", afirmou a mesma funcionária.

Ao balcão do 10º Bairro Fiscal, encontravam-se apenas dois funcionários a atender, frente a uma fila de espera com 19 pessoas.

Manuel Carvalho, 65 anos, afirmou à Lusa estar à espera à quase três horas para actualizar a caderneta predial.

"Sabia da greve, mas como estou reformado não me importo de esperar", afirmou.

Menos sorte teve Dina Martins, de 28 anos, que esperava há uma hora para ser atendida e quando chegou a sua vez foi impossibilitada de pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis porque a Tesouraria se encontrava encerrada.

Joaquim Carinhas, funcionário da CP, pretendia pagar uma contribuição da sua empresa, mas encontrou também a porta encerrada.

"Na rua dos Correeiros, a Tesouraria encontrava-se também fechada, mas disseram-me que aqui talvez estivesse aberta. Enfim, é o último dia para pagar isto, a empresa mandou-me para aqui e agora volto para trás com as mãos a abanar", afirmou à Lusa.

A greve na Função Pública, que abrange um universo de mais de 700 mil trabalhadores, é convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE/UGT) e Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI/independente).

Trata-se de um protesto contra a decisão do governo de congelar as promoções e progressões nas carreiras dos funcionários públicos, reduzir o salário durante a doença e aumentar gradualmente a idade de reforma, medidas tomadas pelo executivo para combater o défice público.

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