Retail Parks de Portugal espera iniciar em Julho investimento de 50 milhões de euros
O presidente da Retail Parks de Portugal (RPP, SGPS) espera iniciar em Julho a construção do Retail e do Business Park de Santarém, num investimento superior a 50 milhões de euros.
Lamentando o "calvário" que quem quer investir em Portugal tem de percorrer, João Alexandre Alves disse à Lusa que espera poder ter os primeiros espaços para comercializar antes do final do ano, depois de três anos de impasse.
Além do Retail Park de Santarém, projecto administrativamente mais avançado, a Teilnahme, Investimentos Imobiliários (nome da empresa que vai desenvolver o projecto de Santarém) quer avançar ao mesmo tempo com o Business Park, numa área total de cerca de 50.000 metros quadrados.
O Business Park, a desenvolver numa área de 24.264 metros quadrados, disponibilizará áreas para instalação de empresas que vão dos 200 aos 10.500 metros quadrados e funcionará como incubadora e nicho de empresas, "com todas as preocupações climáticas, ambientais, económicas e sociais", sendo dotado de uma central foto voltaica, disse.
Realçando a excelente acessibilidade, "a 30 minutos da maior zona de consumo do país, Lisboa e Vale do Tejo (4 milhões de habitantes) e cinco minutos do acesso à A1 e a 30 minutos das ligações ao Algarve (A2) e Espanha (A6)", Alexandre Alves afirmou que este será "o maior projecto privado" realizado na Lezíria do Tejo "com uma oferta de comércio, serviços e desenvolvimento ímpares" que irá criar "mais de mil postos de trabalho".
O Retail Park de Santarém vai ser construído num terreno com cerca de 25.000 metros quadrados, numa zona contígua ao Business Park, ambos a desenvolver em terrenos adquiridos ao Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) por um total de 7 milhões de euros.
A concretização da aquisição do terreno que se destina ao Business Park, alvo de um contrato-promessa de compra e venda, estava dependente da aprovação de uma série de alterações aos alvarás de loteamento para as duas infra-estruturas, o que ocorreu na última reunião do executivo municipal.
Alexandre Alves disse à Lusa que já entregou toda a documentação solicitada, aguardando agora que seja emitida a primeira licença para "contactar todas as empresas da região para que a obra se faça o mais rapidamente possível".
Alexandre Alves lamentou que, embora o terreno para o Retail Park já tivesse um alvará de loteamento, tivesse sido obrigado a fazer "todo o percurso outra vez" e que no caso do alvará para o Business Park tenha de pagar "as taxas máximas", num total de 999.955,86 euros.
A Teilnahme chegou a iniciar as terraplanagens para construção do Retail Park há cerca de um ano, mas, segundo disse à Lusa, a Câmara embargou a obra.
Desde então, o processo negocial com a autarquia tem sido desenvolvido pelo advogado da RPP, Luís Filipe de Carvalho (vogal e membro da Comissão Executiva do Conselho Geral da Ordem dos Advogados), tendo a Câmara Municipal de Santarém contratado para este processo o Bastonário da Ordem, Rogério Alves.
Segundo disse, a Teilnahme comprometeu-se, "por vontade própria", a reabilitar um terreno camarário que no passado funcionou como lixeira municipal, situado junto aos terrenos que adquiriu ao CNEMA, fazendo ali um "enorme parque urbano, com parques para as crianças e os jovens e zonas de lazer para a população".
Além do parque urbano, a Teilnahme vai proceder ao arranjo de três rotundas nas proximidades do investimento, duas na circular urbana de Santarém, que dará acesso ao Retail e ao Business Park, e outra na estrada nacional 3, junto à entrada para o CNEMA, afirmou.
A holding Retail Parks de Portugal SGPS, com um capital social de 5 milhões de euros, fundada em 1993 por Alexandre Alves e Irene Pinto Brito, afirma-se líder de mercado no sector e quer tornar-se a maior empresa do mercado ibérico.
No próximo ano espera iniciar a construção do Retail Park de Valladolid (com 120.000 metros quadrados num só piso, 50 por cento mais que a área do Centro Comercial Colombo, em Lisboa) e tem em estudo a construção de outro em Salamanca.
Em Portugal, o grupo construiu os Retail Parks de Leiria (vendido ao Grupo Espírito Santo), Aveiro e Portimão (ambos vendidos ao Fundo de Investimento British Land, que aparece igualmente como comprador do Retail de Santarém na página da empresa na Internet).
O mercado de retail parks português conta actualmente com 248.714 metros quadrados repartidos por 18 complexos, dos quais cinco inaugurados em 2006, Portimão (24.000 metros quadrados), Gaia (18.722 metros quadrados), Ovar (14.000 metros quadrados), Tondela (12.000 metros quadrados) e Viana do Castelo (5.946 metros quadrados).