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Saída dos Emirados da OPEP sem impacto imediato no preço do petróleo

Saída dos Emirados da OPEP sem impacto imediato no preço do petróleo

O mercado não prevê efeitos imediatos no preço do petróleo após a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, embora antecipe mais oferta e preços mais baixos a longo prazo.

Lusa /
Petroleiro no Bósforo Foto - Yoruk Isik - Reuters

Com o estreito de Ormuz bloqueado e num contexto de tensões entre os Estados Unidos e o Irão, a saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fica em segundo plano, segundo especialistas consultados pela EFE.

Enquanto esta rota, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados a nível mundial, continuar limitada, a oferta global permanecerá condicionada e os preços tenderão a subir.

O barril de Brent, referência na Europa, superou os 120 dólares na quinta-feira, embora em abril tenha caído 3,67% para 114,01 dólares. Desde o início do conflito que acumula uma subida de 57%.

Os Emirados Árabes Unidos, um dos dez maiores produtores de crude do mundo, com uma produção diária de 3,4 milhões de barris, deixaram a OPEP para preservar os seus interesses nacionais e adaptar-se à atual volatilidade geopolítica que afeta a oferta.

Depois de mais de 60 anos como membro do cartel, os Emirados deixam, a partir de hoje, de estar sujeitos às quotas de produção da organização, que limitam o número de barris produzidos diariamente e procuram regular os preços.

No entanto, ainda que os Emirados queiram aumentar a produção, "não terão forma de a escoar" se o estreito de Ormuz continuar bloqueado, advertiu o analista do Banco BiG Joaquín Robles, citado pela Efe.

A decisão surge após anos de tensões com o cartel e, em particular, com a Arábia Saudita, fundadora da organização e segundo maior produtor mundial.

"Enquanto a Arábia Saudita apostava em cortar a produção e controlar os preços, os Emirados queriam aumentar a produção para obter maiores receitas", explicou Robles.

Na mesma linha, o analista da XTB Manuel Pinto considerou que, mais do que um desentendimento pontual, está em causa um choque de modelos.

"A Arábia Saudita procura controlar os preços, enquanto os Emirados querem ganhar quota de mercado", afirmou.

Joaquim Robles acrescentou que os Emirados estão a pensar no futuro e não querem ficar limitados pelas restrições de produção do cartel quando terminar a crise provocada pelo conflito no Médio Oriente.

Num cenário de longo prazo, os analistas apontam para uma descida do preço do petróleo para níveis anteriores ao início da guerra, ou seja, cerca de 70 dólares por barril de Brent.

A reabertura do estreito de Ormuz fará com que o crude volte a circular de forma repentina, a que se somará um aumento adicional da oferta devido a novos produtores independentes, como os Emirados Árabes Unidos.

"O equilíbrio do mercado pode passar da escassez ao excesso em pouco tempo. Teríamos muita oferta e pouca procura, o que seria perfeito para uma queda significativa dos preços do petróleo", afirmou Manuel Pinto, segundo a Efe.

O analista do Banco Big sublinhou também que a OPEP representa apenas cerca de um terço da produção mundial, pelo que, se os restantes produtores aumentarem a oferta, como é o caso dos Estados Unidos, que ultrapassam os 13 milhões de barris diários, "não se pode impedir que os preços caiam".

Segundo o responsável ds XTB, neste contexto de maior oferta, poderá desencadear-se uma "autêntica guerra de preços", que seria intensificada caso outros países da organização ou da OPEP+, que inclui outros produtores aliados, como o Cazaquistão, Iraque ou a Venezuela, sigam o mesmo caminho dos Emirados.

No dia 28 de abril os Emirados Árabes Unidos anunciaram que iam retirar-se da OPEP, liderada por Riade, e da aliança OPEP+, que também inclui a Rússia, a partir de 01 de maio.

A decisão "reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos do mercado a longo prazo", afirmou na altura o ministro de Energia e Infraestrutura do país, Suhail bin Mohamed Al Mazrouei.

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