Salários reais no Japão registam maior queda desde setembro de 2023
Os salários reais dos trabalhadores japoneses registaram a maior descida desde setembro de 2023, com a inflação a ultrapassar o crescimento dos salários, um problema para o governo, que enfrenta eleições dentro de duas semanas.
Os salários reais diminuíram 2,9% em relação ao ano anterior em maio, muito acima do consenso dos economistas, que previa uma queda de 1,7%, informou hoje o Ministério do Trabalho do Japão.
Os salários nominais aumentaram 1% em relação ao ano anterior, limitados por bónus mais pequenos, e subiram a um ritmo muito mais lento do que o esperado pelos economistas.
A força das tendências salariais subjacentes tem alimentado as cautelas do Banco do Japão (BoJ) em relação a eventuais subidas das taxas de juro.
Mas a queda dos salários reais representa uma dor de cabeça para a coligação minoritária no poder, antes das eleições de 20 de julho, que irão eleger 124 dos 248 membros da câmara alta do parlamento para um mandato de seis anos.
A frustração do eleitorado nipónico tem vindo a aumentar, pressionando os líderes políticos a apresentarem estratégias mais convincentes para aliviar a pressão sobre o custo de vida.
O Partido Liberal Democrático do primeiro-ministro Shigeru Ishiba prometeu uma ajuda monetária de 20 mil ienes (118 euros) por adulto, juntamente com iniciativas adicionais para estimular o crescimento dos salários.
Ainda assim, as recentes sondagens de opinião sugerem que este aumento pontual não é popular entre os eleitores, muitos dos quais estão a inclinar-se para a proposta do Partido Democrático Constitucional, a principal formação da oposição, de reduzir o IVA.
No que respeita à política monetária, os atuais aumentos dos salários nominais podem dar ao BoJ margem de manobra para novas subidas das taxas.