SATA analisa posição do júri e remete processo da Azores Airlines ao governo açoriano
A administração da SATA confirmou hoje que está a "analisar" a recomendação do júri para rejeitar a proposta pela companhia Azores Airlines e adiantou que vai remeter o processo para o Governo dos Açores.
"O conselho de administração da SATA está a analisar a recomendação do júri do concurso para a alienação da Azores Airlines que propõe a rejeição da proposta apresentada pelo consórcio", indica a SATA em nota de imprensa.
A posição surge depois de o júri da privatização da Azores Airlines ter proposto a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect Group, a única admitida no concurso, por entender que não "salvaguarda os interesses" da SATA e da região.
Em reação, a SATA garante estar "preparada" para "avaliar e atuar de forma responsável nos diferentes cenários que possam vir a colocar-se" e assegura o "cumprimento das obrigações legais e do superior interesse" da companhia e da região.
"Após a conclusão desta fase de análise, o conselho de administração irá remeter o processo ao Governo Regional dos Açores, solicitando a respetiva orientação quanto ao seguimento a dar ao processo de alienação", lê-se no comunicado.
A administração da SATA "reitera o compromisso de procurar a melhor solução para a Azores Airlines", assegurando a defesa dos "interesses da companhia e dos seus colaboradores".
Para o júri, liderado pelo economista e professor universitário Augusto Mateus, a proposta do consórcio coloca a região e a SATA "numa posição globalmente mais desfavorável do que aquela que resultava da proposta apresentada pelo mesmo consórcio em 2023".
O consórcio Atlantic Connect Group apresentou em 24 de novembro uma proposta de 17 milhões de euros por 85% da capital social da Azores Airlines, tendo o Governo dos Açores solicitado a prorrogação do prazo para a privatização da companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi aceite pela Comissão Europeia.
Segundo o júri, na proposta apresentada, a SATA "teria de assumir integralmente a capitalização da Azores Airlines", não existindo qualquer "instrumento" que permitisse ao grupo "recuperar os montantes investidos".
O consórcio ainda se poderá pronunciar sobre a posição do júri, antes da aprovação do relatório final.
O Atlantic Connect Group é liderado pelos empresários Carlos Tavares (antigo diretor executivo da Stellantis), Tiago Raiano, Paulo Pereira e Nuno Pereira.
Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).