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Seguro rejeita termos assinados por Sócrates com a troika internacional

Seguro rejeita termos assinados por Sócrates com a troika internacional

António José Seguro comunicou este domingo aos membros da Comissão Nacional do PS a sua discordância em relação a "alguns pontos do memorando" assinado com a troika. O atual secretário-geral dos socialistas sublinhou o facto de não ter sido ele quem "negociou" ou "assinou" o programa de assistência. Garante por outro lado que o PS "vai honrar os compromissos" e prosseguir a prática de uma "oposição responsável e construtiva".

RTP /
Seguro disse ontem em Coimbra que a sua ideia é ser primeiro-ministro em 2015 Nuno Veiga, Lusa

Estas discordâncias da atual liderança para com decisões tomadas durante os últimos meses do Governo Sócrates foram ouvidas pela Agência Lusa a uma fonte socialista que assistiu à comunicação de Seguro aos camaradas de partido.

Foi durante a reunião da Comissão Nacional que está a decorrer em Évora que António José Seguro reconheceu esse desconforto perante os termos do acordo assinado pelos então responsáveis socialistas como os representantes da troika internacional (FMI – Fundo Monetário Internacional, BCE – Banco Central Europeu e Comissão Europeia). A reunião da Comissão Nacional do PS tem como ponto principal o processo de revisão dos estatutos e de modernização interna

A Comissão Nacional integra 251 membros efetivos, sendo norma reunir-se de quatro em quatro meses

O programa para este domingo apontava para uma manhã de debates sobre a modernização do próprio PS, o aprofundamento da participação política e organização e funcionamento

António José Seguro tinha a sua intervenção marcada para as 13:00


Abordado pelos jornalistas à saída para o almoço, o líder do PS esquivou-se a esclarecer que pontos são esses do plano de austeridade imposto a Portugal pelas agências estrangeiras que não estão de acordo com os seus próprios critérios.

A conversa seria levada por Seguro para outros campos, os da gastronomia: "Évora é uma cidade fantástica, tem uma gastronomia ótima, está um dia fantástico, aproveitem bem esta hora de almoço, eu não posso aproveitar porque vou trabalhar com os presidentes de federação, mas aproveitem esta pausa".
Discordância não impede PS de honrar compromissos
Lá dentro, na sala onde se reúnem os membros da Comissão Nacional do Partido Socialista, o secretário-geral terá confessado o desagrado perante um memorando de ajuda externa que – sublinhou – não negociou nem assinou. O programa de ajuda financeira a Portugal foi negociado pelo então primeiro-ministro e ex-secretário-geral socialista José Sócrates. Trata-se, no entanto, de um pormenor que não impedirá o PS de cumprir com as suas obrigações.

Seguro deixara no entanto claro que - não sendo este o acordo que ele próprio teria negociado - "vai honrar os compromissos". "Não vou adiantar a matéria em concreto, é verdade que fez essa afirmação na Comissão Nacional, mas queria aqui realçar que honramos os compromissos e honramos compromissos internacionais, como é o caso do memorando de entendimento"

Miguel Laranjeiro


Miguel Laranjeiro, membro da Comissão Política, falou mais tarde com os jornalistas para declarar que Seguro não chegara a esclarecer que partes eram essas do texto do acordo que não seriam subscritas por ele.

"Não vou referir porque não foi referido na intervenção. O que foi referido na intervenção é que seremos responsáveis na oposição, porque pode-se servir o país na oposição e no Governo e o Partido Socialista está na oposição por opção dos portugueses e pode servir o país e servirá o país na oposição, respeitando aquilo que são acordos internacionais", afirmou Miguel Laranjeiro.

Ainda em declarações aos jornalistas, Miguel Laranjeiro deixava a garantia de que "o Partido Socialista honra os seus compromissos. O Partido Socialista, a direção, o secretário-geral, honram o passado e honram os compromissos que assumiram".
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