Setor privado timorense é pequeno e em setores de baixa produtividade
Um relatório divulgado hoje pelo Banco Central de Timor-Leste (BCTL) refere que o setor privado timorense é pequeno, está concentrado em setores de baixa produtividade e o seu desenvolvimento está dificultado devido a constrangimentos estruturais.
"O setor privado permanece pequeno, cresce apenas de forma modesta e está concentrado em poucos setores de baixa produtividade, limitando as oportunidades de diversificação económica, criação de emprego em larga escala e crescimento sustentado", pode ler-se no relatório económico anual de 2025.
Aqueles desafios, salienta o documento, agravam-se com uma produção pouco diversificada e por uma fraca competitividade externa, limitando a sua expansão para atividades de maior valor acrescentando e produtividade.
Para a limitação de desenvolvimento daquele setor contribuem o acesso limitado ao financiamento, infraestruturas subdesenvolvidas, um mercado interno reduzido e restrições regulatórias, refere o documento.
"O valor real do investimento privado aumentou apenas de forma modesta nas últimas duas décadas, tendo crescido 43,5 milhões de dólares [cerca de 37,7 milhões de euros]", segundo o BCTL.
Ou seja, em 2002 aquele investimento foi de 54,2 milhões de dólares (cerca de 47 milhões de euros) e em 2025 foi de 97,7 milhões de dólares (cerca de 84,6 milhões de euros).
"Em percentagem do PIB [Produto Interno Bruto], o investimento privado diminuiu ligeiramente de 6% para 5,5% no mesmo período. O investimento tem sido volátil, atingindo um pico em 2017 antes de cair acentuadamente em 2018, no contexto do impasse político que atrasou a aprovação do orçamento e aumentou a incerteza, e diminuindo ainda mais até atingir o seu nível mais baixo em 2020", explica no documento o BCTL.
Os dados do BCTL indicam que o investimento privado está concentrado na construção, que representou 32,2% da produção dos últimos cinco anos e no comércio a grosso e a retalho, com 25,1% da produção.
"Esta concentração indica que o investimento privado está sobretudo orientado para atividades ligadas à despesa pública e à procura interna, em vez de setores transformadores e de elevada produtividade. O investimento nos restantes setores permanece limitado", destaca o BCTL.
O desenvolvimento industrial ainda é fraco, representando apenas 7,2% do investimento, o setor dos transportes e armazenamento representa 3,7% do investimento, enquanto o do alojamento e restauração apenas 5%.
No relatório, o BCTL recomenda ao Governo para simplificar os regulamentos e reduzir os entraves burocráticos, promover um regime claro e seguro de posse da terra e direitos de propriedade para facilitar o investimento e resolver a escassez de competências em setores de elevada produtividade.
O BCTL defende também que o executivo precisa de incentivar o investimento na indústria transformadora, em serviços modernos e em setores orientados para a exportação.
O relatório considera igualmente que se deve priorizar as infraestruturas de transporte, energia e digitais que "beneficiem a produtividade do setor privado e não apenas projetos públicos", bem como o desenvolvimento da força de trabalho.