Sindicatos de trabalhadores da Lusa contestam denúncia do acordo de empresa pelo CA

Sindicatos de trabalhadores da Lusa contestam denúncia do acordo de empresa pelo CA

Os sindicatos representativos dos trabalhadores da Lusa apresentaram na segunda-feira no Conselho Económico e Social (CES) contestações à denúncia do acordo de empresa (AE) pelo Conselho de Administração da agência noticiosa, reclamando a improcedência da fundamentação apresentada.

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Lusa

Num comunicado conjunto, hoje divulgado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ), o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços (Sitese) e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas (Site CSRA) dizem ter apresentado contestações autónomas, mas com fundamentação idêntica.

"No pedido, solicita-se que o tribunal arbitral decida pela improcedência da fundamentação da Lusa", sustentam, argumentando que a denúncia "é manifestamente desnecessária, desadequada e desproporcional, em clara violação do artigo 18.º da Constituição da República Portuguesa".

Considerando que a denúncia do AE foi feita "sem correspondência com a realidade", é "contraditória nos fundamentos" e "visa apenas condicionar a negociação de um futuro acordo de empresa e a autonomia coletiva", os sindicatos solicitaram ao CES a constituição de arbitragem para apreciação da fundamentação apresentada pela administração da Lusa.

O AE agora denunciado foi celebrado entre a Lusa e os três sindicatos em 2009 e revisto em 2020.

De acordo com os sindicatos, "nos últimos anos, a administração disse várias vezes que tencionava apresentar uma proposta de revisão do AE, mas nunca o fez - e, agora, contraditoriamente, surpreende com a denúncia do acordo".

Garantindo que "nunca se opuseram ao início de qualquer processo negocial, pelo contrário", os sindicatos "discordam é da opção de denunciar o atual, porque coloca uma pressão desnecessária sobre o tempo disponível para a negociação do novo AE, podendo colocar em causa direitos dos trabalhadores".

"Além disso, prejudica a negociação do caderno reivindicativo de 2026, uma vez que a administração deixou claro que só haverá aumentos salariais depois de concluído o novo AE", referem.

Para os sindicatos, a decisão de denunciar o AE é também "uma retaliação da administração da Lusa e do ministério da tutela pelo facto de o Sindicato dos Jornalistas ter apresentado um conjunto de queixas e de denúncias relativamente aos novos estatutos da agência".

O SJ considera que os novos estatutos "colocam em causa a liberdade editorial, a de informação e contrariam, mesmo, regras europeias".

Em 28 de maio, o Conselho de Administração (CA) da Lusa denunciou formalmente o AE, conforme adiantaram os sindicatos, acusando a gestão de querer condicionar as negociações salariais.

Num comunicado divulgado na altura, o SJ, o Sitese e o Site CSRA indicaram que o CA confirmou a decisão do Governo em proceder a uma atualização salarial de 56,58 euros mensais em 2026, com retroativos a 01 de janeiro.

"O CA disse estar disponível para fazer um aumento salarial em 2026 de 70 euros (isto é, 13,42 euros acima dos 56,58 euros agora processados), mas condiciona esse aumento adicional à assinatura do novo AE, que poderá levar vários anos a negociar, tendo em conta a grande complexidade do processo, por envolver várias matérias laborais estruturantes e difíceis de negociar", destacaram as estruturas sindicais.

No mesmo dia, o CA confirmou a apresentação de "um novo AE, que substitua o atual, considerado desatualizado e cuja redação se iniciou em 2006, tendo entrado em vigor em 2009", tendo ainda partilhado a informação com a Comissão de Trabalhadores, em outra reunião.

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