Sindicatos e patrões não poupam nas críticas a Belmiro de Azevedo

Sindicatos e patrões não poupam nas críticas a Belmiro de Azevedo

Belmiro de Azevedo foi hoje alvo de duras críticas por parte de confederações patronais e sindicais, depois de ter assumido que sem mão-de-obra barata "não há emprego para ninguém". "Falta de respeito" ou "modelo errado" são alguns dos mimos "atirados" ao patrão da Sonae. O secretário-geral da CGTP disse que percebe agora por que razão o empresário "é o terceiro homem mais rico do país".

RTP /
Arménio Carlos, da CGTP, diz que já percebe porque é que Belmiro de Azevedo é o terceiro homem mais rico do país José Sena Goulão, Lusa

Não se esperava outra reação por parte das confederações, mais dos sindicatos do que das patronais, depois de Belmiro de Azevedo ter preconizado para Portugal uma política de salários baixos como  solução para o desemprego.

“Diz-se que não se deve ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Eu não sei porque não. Porque se não for a mão-de-obra barata não há emprego para ninguém. Portanto, de facto é uma vantagem comparativa. Caso contrário, se a gente quer concorrer com potências que têm muito maior produtividade, é impossível pagar os salários de alta produtividade a trabalhadores com baixa produtividade”, referia ontem à noite Belmiro de Azevedo em mais uma noite de conversas no Clube dos Pensadores, em Gaia."Já percebo porque é que é o terceiro homem mais rico do país. A inteligência é só dele e o resto é só suor e neste caso exploração", reagiu o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.


Perante estas afirmações os responsáveis pelas confederações sindicais e patronais reagiram esta manhã de forma bem dura e crítica ao patrão da Sonae, acusando-o de "falta de respeito" aos trabalhadores ou de defesa de um "modelo errado" para o país.

"Espero que o senhor engenheiro Belmiro consiga descobrir algum modo de as pessoas poderem comprar na loja dele sem salário", ironizava esta manhã o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes.

Já o secretário-geral da CGTP era menos irónico ao considerar que estas declarações demonstram "falta de respeito" sobre os trabalhadores e a "conceção de empresariado" que continua a existir em Portugal.

Também João Proença, da UGT, considerou que o patrão da Sonae defende um modelo errado.

"Não sabemos o que é que o senhor Belmiro entende por mão de obra barata, o que nós entendemos é uma justa distribuição da riqueza criada neste país e que o modelo de salários baixos é um modelo que não dá futuro para Portugal", disse.
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