Em direto
50 anos da Constituição da República. Parlamento assinala data com sessão solene

Sindicatos estranham aprovação de proposta sobre aposentação

Sindicatos estranham aprovação de proposta sobre aposentação

Os sindicatos da Função Pública consideraram hoje "estranho" que o Governo tenha aprovado a proposta de lei sobre a aposentação dos funcionários públicos porque as negociações ainda não estão concluídas.

Agência LUSA /

O presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Bettencourt Picanço, afirmou à agência Lusa que, "nos termos da lei da negociação, o Governo não pode aprovar uma lei quando as negociações ainda não estão encerradas".

Depois do secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, ter dado por concluídas as negociações, após a primeira reunião com as estruturas sindicais, quarta-feira, o STE requereu uma negociação suplementar.

Em resposta, o gabinete de João Figueiredo convocou uma reunião para a próxima quinta-feira e enviou aos sindicatos uma segunda versão da proposta de lei que estabelece os mecanismos de convergência do regime de protecção social da função pública com o regime geral da segurança social no que respeita às condições de aposentação e cálculo das pensões.

Contactado pela agência Lusa, o porta-voz da Frente Comum, Manuel Ramos, sublinhou que a estrutura sindical não pediu uma negociação suplementar, por considerar que o processo negocial não está concluído, mas que também foram convocados para uma reunião na próxima quinta-feira.

Manuel Ramos adiantou que "parece haver alguma confusão" na secretaria de Estado porque, por um lado, continua o processo negocial, mas, por outro, o Governo aprova o documento em conselho de ministros.

O dirigente sindical acrescentou que o gabinete jurídico da Frente Comum está a analisar a situação.

O secretário coordenador da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), Jorge Nobre dos Santos, considerou "extemporânea" a aprovação da proposta, visto ser uma medida para vigorar no início do próximo ano.

"Parece-nos uma aprovação precipitada, visto ainda estar a decorrer um processo de negociação suplementar", realçou Nobre dos Santos à agência Lusa.

Apesar de discordar da proposta de lei, a FESAP entende, no entanto, que foram introduzidas algumas "melhorias".

O Governo aprovou hoje em conselho de ministros uma proposta para o aumento progressivo de 60 para 65 anos da idade de reforma dos funcionários públicos inscritos na Caixa Geral de Aposentações (CGA).

O diploma estabelece ainda o aumento progressivo do tempo mínimo de serviço para aceder a uma reforma por inteiro, que ao longo dos próximos 10 anos passará de 36 para 40 anos.

De acordo com a proposta, apresentada pelo secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, a idade de aposentação dos funcionários e agentes da administração pública anteriores a 1 de Janeiro de 2006, subscritores da CGA, será gradualmente aumentada seis meses por ano ao longo dos próximos 10 anos.

No final do período de transição podem aposentar-se os subscritores da CGA que tenham pelo menos 65 anos.

Os trabalhadores que até ao final de 2005 reúnam as actuais condições de acesso à aposentação (60 anos e 36 anos de serviço) mantêm o regime actual, "mesmo que venham a solicitar a reforma daqui a quatro ou cinco anos", salientou João Figueiredo.

A proposta hoje aprovada em conselho de ministros salvaguarda ainda a situação dos trabalhadores com longas carreiras contributivas, criando um regime especial de aposentação antecipada durante o período de transição em que, por cada ano de serviço prestado a mais, diminui em seis meses a idade para acesso à aposentação.

O cálculo da pensão de reforma sofre também alterações, passando a ser feito com base numa "nova fórmula com duas parcelas": uma correspondente ao tempo de serviço até de 2005 e outra relativa à média dos vencimentos auferidos a partir de Janeiro de 2006, que se rege já pela fórmula relativa ao regime geral de segurança social.

TSM/PGF.

Lusa/Fim


PUB