Sinistros participados ultrapassam os 219 mil
O número de sinistros participados devido ao mau tempo que atingiu o país no início do ano ultrapassou os 219 mil, anunciou hoje a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), que estima um custo total de 1.400 milhões de euros.
"Até à data foram participados mais de 219 mil sinistros em resultado do `comboio de tempestades`, destes aproximadamente 85% são de particulares e 15% de empresas", revelou a APS, esclarecendo que se estima, neste momento, "um custo total na ordem dos 1.400 milhões de euros".
Em 19 de maio, a APS divulgou que tinham sido 205 mil os sinistros reportados, com um custo total de 1.300 milhões de euros.
Numa resposta hoje enviada na sequência de um pedido de informação da agência Lusa, a propósito dos seis meses da depressão Kristin, a APS estimou que "a taxa de regularização global se situe em torno dos 90%, sendo um pouco mais baixa nas empresas (89%) e um pouco mais elevada nos particulares (91%)".
"Até à data os montantes pagos na sequência destes eventos superam já os 810 milhões de euros, dos quais mais de 780 milhões de euros relativos a seguros multirriscos", referiu.
Segundo a associação, no âmbito do seguro multirriscos, "de longe o mais impactado, "estima-se que os valores já pagos para compensar perdas de particulares (fundamentalmente relativas a habitações) ascendem já a 555 milhões de euros e os montantes pagos para compensar perdas em empresas ultrapassam os 225 milhões de euros".
Questionada sobre os motivos pelos quais há processos por regularizar, a APS sustentou que, "sem prejuízo de existirem ainda sinistros participados mais recentemente, cuja análise por parte das seguradoras está naturalmente ainda em curso, de um modo geral, os sinistros ainda não regularizados são os mais complexos, têm ainda peritagens em curso (por vezes há necessidade de múltiplas peritagens, algumas acompanhadas ou até promovidas pelos próprios segurados) ou aguardam peças e materiais para reparação de danos ou fornecimento de equipamento que ainda não foi entregue".
À pergunta sobre quantos sinistros reportados por empresas foram objeto de adiantamento, a APS explicou que, "para casos mais complexos, com valores de custos estimados acima de um milhão de euros, mais de um terço (35%) tiveram adiantamentos, e estes, em regra, foram sendo efetuados sempre que os segurados o solicitaram".
Sobre o número de sinistros reportados por entidades públicas, como câmaras municipais ou juntas de freguesia e qual o valor já pago por seguradoras, a APS justificou não dispor "de informação com este nível de granularidade".
Quanto a eventuais queixas de segurados, a associação observou que "num evento desta dimensão e complexidade é natural que possam existir algumas situações que geram reclamações por parte dos sinistrados", sendo que os dados apontam "para que estes casos sejam relativamente residuais".
A APS adiantou que "até final de janeiro, ou seja, antes do início do `comboio de tempestades`, a variação homóloga da produção de seguros multirriscos situava-se em torno dos +9,3%", sendo que nos dados relativos a final de junho "essa variação é de +10,5%".
"Este ligeiro acréscimo poderia, à primeira vista, sugerir um aumento da procura por este tipo de seguros. No entanto, a diferença entre os dois momentos é demasiado pequena para que se possa afirmar, com rigor, que houve uma alteração estrutural no comportamento dos consumidores em resultado direto destes eventos climáticos, apesar de se ter registado um aumento dos pedidos de cotação para este tipo de seguro", acrescentou.
Confrontada com a eventualidade de, face ao mau tempo, ser expectável um aumento do valor dos seguros, a Associação Portuguesa de Seguradores afirmou não dispor de informação para se pronunciar, mas "tudo dependerá de múltiplos fatores, desde o comportamento da carteira de seguros de cada seguradora até à evolução do custo do resseguro", entre outros.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.