Soluções portuguesas de gestão de resíduos interessam a empresas chinesas
Uma associação empresarial de Portugal destacou em Macau que empresas ambientais chinesas estão interessadas nos métodos e tecnologias portugueses de gestão de resíduos e veem o país como ponte de abertura para mercados em África e América Latina.
De acordo com Rita Barros Silva, do departamento de projetos da Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais (APEMETA), o mercado chinês demonstra uma procura crescente por modelos de gestão e soluções tecnológicas portuguesas, principalmente "na área de resíduos e descarbonização".
Em sentido inverso, as empresas portuguesas olham para a China com um interesse crescente na área da reciclagem e na diversificação de fornecedores de novas soluções tecnológicas, acrescentou à Lusa a responsável, que está presente na edição deste ano do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF), que termina hoje.
Para o setor empresarial chinês, a parceria com Portugal é também vista como um ativo estratégico para ultrapassar barreiras de comunicação e aceder a mercados africanos e sul-americanos.
"Portugal vai além, vai muito para o mercado lusófono, quer para os PALOP, quer até o Brasil e América Latina e portanto também nos procuram por isso, na medida em que podemos ser interlocutores qualificados para vencer um bocadinho essa barreira da comunicação", referiu Barros Silva à Lusa.
Esta triangulação, destacou, permite que a APEMETA promova as competências ambientais nacionais enquanto acolhe investidores chineses em Portugal para visitas técnicas que facilitam a concretização de negócios e protocolos de cooperação técnica.
Sobre Macau, Rita Barros Silva Macau considerou ser uma "plataforma estratégica" para consolidar o interesse bilateral e transformar contactos institucionais em parcerias comerciais efetivas.
Mais de 50 delegados e companhias de países lusófonos estiveram presentes na MIECF deste ano.
Segundo a representante, a participação periódica no evento no território tem permitido uma aproximação essencial não só às empresas da região, mas acima de tudo a associações empresariais congéneres.
"Isto tem ajudado a que consigamos apresentar empresas portuguesas às empresas chinesas locais e reforçar as parcerias com as que já estão em Macau", afirmou.