SpaceX adia lançamento da nova versão do Starship devido a problemas de última hora
A SpaceX adiou na quinta-feira o lançamento da mais recente versão do foguetão Starship para um voo de teste, antes da entrada em bolsa da empresa aeroespacial de Elon Musk.
A descolagem do Starship foi adiada quando faltava apenas meio minuto para o lançamento do foguetão e depois de uma tentativa marcada por inúmeras interrupções e reinícios da contagem decrescente.
A empresa afirmou que tentaria hoje novamente fazer a descolagem do seu maior foguetão.
Os engenheiros não conseguiram resolver a tempo problemas de última hora, segundo o porta-voz da SpaceX Dan Huot, que não deu detalhes sobre os obstáculos em questão.
"Novo foguetão, nova plataforma de lançamento: estamos a aprender muito sobre estes sistemas à medida que os utilizamos pela primeira vez, e simplesmente não conseguimos resolver todos estes problemas nos últimos segundos antes do lançamento", afirmou Huot numa transmissão do evento divulgada nas redes sociais.
"Vamos agora investir algum tempo a perceber o que nos fez tropeçar antes do lançamento e, depois, avançar com o voo amanhã [hoje]", acrescentou.
Há muito em jogo para a SpaceX, que irá lançar a Starship pela 12.ª vez, sete meses após o seu último lançamento. Com 124 metros de altura, o modelo atual é ligeiramente maior do que o anterior e a empresa está empenhada em demonstrar as melhorias introduzidas no foguetão durante o voo, sobretudo depois de ter divulgado o processo de oferta pública inicial (IPO) em bolsa.
A SpaceX não prevê recuperar o propulsor do foguetão, uma manobra espetacular que já realizou no passado. Em vez disso, deverá deixar este primeiro aparelho afundar-se nas águas do Golfo do México.
O segundo estágio da operação, ou estágio superior, terá como missão lançar uma carga útil de 20 satélites simulados, bem como dois satélites Starlink equipados com câmaras, que tentarão analisar a eficácia do escudo térmico da nave.
Esse estágio deverá durar cerca de 65 minutos após a descolagem, período durante o qual o Starship deverá seguir uma trajetória suborbital percorrendo metade do planeta, antes de cair no mar no Oceano Índico.
As últimas missões da Starship decorreram com sucesso, mas outras terminaram em explosões espetaculares, nomeadamente duas sobre as Caraíbas e uma após ter atingido o espaço. Em junho passado, o módulo superior explodiu durante um ensaio em terra.
Este voo de teste surge num momento crucial para a SpaceX, um dia depois do dono da empresa anunciar o seu lançamento em bolsa. Elon Musk disse que a empresa encarregada de fazer uma versão modificada do foguetão Starship para servir como módulo de alunagem para a NASA deverá entrar em bolsa em meados de junho.
A agência espacial norte-americana pretende enviar astronautas à Lua em 2028, antes da China, potência rival, que também ambiciona enviar homens ao planeta satélite da Terra até 2030.
Tendo em conta, porém, os atrasos do setor privado, a Administração de Donald Trump receia que os Estados Unidos não consigam atingir este objetivo em primeiro lugar.
Além da SpaceX, a sua concorrente Blue Origin - detida por Jeff Bezos - procura também desenvolver um módulo de alunagem. Ambas as empresas reorientaram a estratégia para dar prioridade às missões lunares.
A NASA prevê uma missão em 2027 que não chegará à Lua, antes do envio de astronautas à superfície lunar em 2028, durante a 4.ª missão Artemis. Os especialistas do setor mostram-se céticos quanto à concretização destes objetivos dentro do prazo previsto.
Um dos principais obstáculos é demonstrar a capacidade de reabastecimento de combustível em órbita, uma etapa essencial para fornecer energia aos motores de um foguetão, mas que nunca foi testada em missões de longa duração.