TAP cria nova empresa charter para substituir Yes
A TAP anunciou segunda-feira, no Brasil, a criação de uma nova empresa para voos não regulares (charter), a White, que substitui a Yes, e que a transportadora nacional espera que proporcione mais receita e mais resultados.
O vice-presidente executivo para a área de Marketing e vendas da TAP, Luiz Mor avançou que a White vai manter o capital dividido entre a transportadora nacional, com 75 por cento, e a Abreu, com os restantes 25 por cento, tal como acontecia na Yes.
Luiz Mor falava numa conferência de imprensa à margem do XXX Congresso da Associação das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) que decorre até quinta-feira em Florianópolis, no Estado brasileiro de Santa Catarina.
A White vai assumir os compromissos da Yes, garantiu Luiz Mor, que passa a administrador não executivo da nova companhia, indicado pelo accionista Abreu, e pretende ser "a empresa charter de referência em Portugal".
Acerca do interesse em encontrar novos accionistas, o responsável disse não existir preocupação com venda de participação.
A nova companhia vem "preencher uma lacuna no mercado português que merece ter uma companhia moderna e apetrechada" e os operadores "precisam de uma empresa charter forte e com fiabilidade", o que lhe é conferido pela participação da TAP, considerou Luiz Mor.
Aliás, a nova empresa vai ter equipamentos com a mesma qualidade da TAP, o que também vai permitir ganhos de escala, além da confiança do consumidor e dos operadores turísticos, espera o vice-presidente da TAP.
Com a mudança de marca, os responsáveis da White pretendem "ter mais receita e mais resultados, porque vão ter um novo produto, e inverter a situação" da Yes, cujo "grande problema era a frota", assinalou.
No entanto, não está previsto qualquer investimento adicional, excepto o leasing dos aviões, cujo valor Luiz Mor se escusou a avançar, mas disse ser elevado.
A White vai operar com o Boeing 707 actualmente na Yes, o qual será substituído por dois A 310, o primeiro no início do próximo Verão e o segundo no final do Verão.
O responsável da TAP frisou que o Boeing só deixará a White quando chegar o segundo A310, de modo a não ter somente um avião a operar no Verão, uma situação que deu origem a problemas em Agosto passado.
Por mais de uma ocasião, o avião da Yes, um Loockeed, teve problemas técnicos e os turistas que devia transportar tiveram de esperar por um novo avião, em alguns casos vários dias.
Os operadores que tinham contratado a Yes, nomeadamente o Mundovip, do grupo Espírito Santo, tiveram de interromper a relação com a companhia aérea e procurar uma outra solução.
Luiz Mor garantiu que tudo voltou à normalidade da contratação com os operadores Mundovip, Abreu e Star desde que passou a utilizar o Boeing 707.
Uma das novidades que passagem de Yes para White vai trazer é a possibilidade de poder utilizar o hub (placa giratória onde a companhia centraliza a maior das operações e interligações de vôos) da TAP.
Luiz Mor explicou que esta ideia ainda está a ser clarificada, mas a intenção é usar os lugares dos aviões da TAP da Europa, onde normalmente existem lugares vagos, para trazer os clientes das operadoras turísticas que contratam os charter de Lisboa para um determinado destino.
Esta é uma forma de reduzir o risco para os operadores turísticos, mas também de ampliar o seu mercado e contribuir para a internacionalização das suas actividades.
Porém, a TAP "tem de criar uma tarifa agressivamente baixa que viabilize o jogo", e espera que da parte dos promotores seja feita a promoção nos mercados europeus.
Acerca da situação financeira da Yes, Luiz Mor apenas disse que iria ter prejuízos em 2004.