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Tarifas. Famílias dos EUA pagam mais 2.200 euros em 2026, segundo democratas

Tarifas. Famílias dos EUA pagam mais 2.200 euros em 2026, segundo democratas

As tarifas alfandegárias impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, custarão às famílias do país, em média, 2.512 dólares (2.200 euros) em 2026, segundo um estudo divulgado pelo Partido Democrata. 

Lusa /

O valor estimado pelos democratas no Congresso representa um aumento de 44% em relação aos 1.745 dólares gastos com tarifas no ano passado, numa altura em que os consumidores se queixam do elevado custo de vida e com a guerra com o Irão a fazer subir os preços da energia.

"Enquanto as famílias americanas continuam a lutar contra os elevados custos, o Presidente continua a optar por aplicar novas tarifas que aumentarão ainda mais os preços", disse a senadora Maggie Hassan, líder democrata na Comissão Económica do Congresso.

A decisão do Supremo Tribunal em fevereiro de `chumbar` as sobretaxas alfandegárias aplicadas por Trump no início do seu mandato obrigam à aplicação de novas tarifas para compensar a receita federal perdida.

Apesar da decisão do Supremo Tribunal "de que grande parte da agenda tarifária de Trump é ilegal", disse Hassan, o governo "recusa-se a fornecer alívio às famílias".

Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, classificou o estudo como "falso", reiterando que a política tarifária visa "renegociar acordos comerciais falhados, reduzir os preços dos medicamentos e garantir biliões em investimentos para o povo norte-americano".

Trump invocou em 2025 a Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 para impor tarifas de dois dígitos a quase todos os países do mundo.

Mas o Supremo Tribunal decidiu que a IEEPA não dava ao Presidente autoridade para impor tarifas. 

O governo deve agora fazer reembolsos --- estimados em cerca de 175 mil milhões de dólares --- aos importadores que pagaram as tarifas da IEEPA, declaradas ilegais, mas o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que as novas tarifas a aplicar "resultarão em receitas tarifárias praticamente inalteradas em 2026".

Trump já anunciou uma tarifa de 10%, invocando a Lei do Comércio de 1974, e pode aumentá-la para 15%.

Mas este aumento é válido por apenas por 150 dias, a menos que o Congresso aceite prorrogá-las. 

A lei comercial de 1974 autoriza o Presidente a impor tarifas e outras sanções aos países que adotem práticas comerciais "injustificáveis", "irrazoáveis" ou "discriminatórias". 

Trump, acusando a China de utilizar táticas desleais para obter vantagem nas indústrias de alta tecnologia, utilizou esta lei para impor tarifas sobre as importações chinesas no seu primeiro mandato, e estas resistiram a contestações judiciais.

Na quarta-feira, o representante da Casa Branca para o Comércio, Jamieson Greer, anunciou uma ampla investigação ao abrigo desta lei para apurar se 16 parceiros comerciais dos EUA, incluindo a China e a União Europeia, estão a produzir bens em excesso, a inundar o mercado global com os seus produtos e assim a prejudicar os fabricantes norte-americanos.

A expectativa geral é de que a investigação termine numa nova ronda de tarifas pesadas. 

O governo está a lançar outra investigação para proibir a importação de bens fabricados com trabalho forçado e Greer afirmou que também podem ser abrangidas questões como impostos sobre serviços digitais, preços de medicamentos e poluição oceânica.

Espera-se também que o governo faça mais uso da Lei de Expansão do Comércio de 1962, que permite ao Presidente impor tarifas sobre bens considerados ameaças à segurança nacional após uma investigação do Departamento do Comércio, o que já acontece com o aço, o alumínio, os automóveis e as peças automóveis, entre outros produtos.

O relatório dos democratas assume que as famílias norte-americanas absorverão 100% do custo das tarifas, citando um relatório do Gabinete Orçamental do Congresso (CBO, na sigla em inglês).

Este conclui que os importadores podem passar 70% dos custos das tarifas para os consumidores, e que os produtores devem aumentar os preços --- devido à menor concorrência das importações e ao aumento da procura dos seus produtos isentos de tarifas - fazendo com que os custos repercutidos impliquem que os consumidores suportem a totalidade da fatura das tarifas, segundo o CBO.

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