Economia
Tecnologias inovadoras aplicadas a artes de pesca para diminuir lixo marinho
Cordas biodegradáveis, microships em artes de pesca e uma App para localização de redes perdidas no mar são projetos de investigação europeus com aplicação prática no setor pesqueiro. Um dos desafios é diminuir a dependência do uso do petróleo no fabrico do plástico e substituí-lo por componentes orgânicos, tornando a atividade da pesca mais ecológica. O outro é recuperar e reciclar as redes abandonadas no oceano.
Proteger um mínimo de 30 por cento dos mares na Europa é uma das metas fixadas pela Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030.
O uso inteligente e o aproveitamento total de recursos naturais, sem prejuízo aos ecossistemas, é o ponto de partida de vários projetos de investigação para diminuir o impacto do plástico nos oceanos.
A aquicultura está assinalada como uma promissora atividade económica e social das comunidades costeiras, mas as cordas e as redes plásticas que envolvem as caixas dos viveiros produzem muitos resíduos.
Recorrendo a tecnologia inovadora, o projeto europeu BIOGEARS, coordenado pelo centro de investigação AZTI, sediado em Espanha, desenvolveu cordas feitas de materiais orgânicos.

Linhas produzidas com materiais orgânicos em substituição do petróleo | Camille Bello - UE/Euronews
"É o primeiro protótipo desenvolvido no BIOGEARS. São materiais bioplásticos provenientes de fontes naturais e, por isso, biodegradáveis. Os resíduos gerados por estas cordas são mais sustentáveis, amigos do meio ambiente e representam valor acrescido para o sector", explicou Leire Arantzamendi Egiguren, do centro AZTI, citada na Euronews.
A partir de materiais naturais derivados de biomassa reciclável, como o açúcar vegetal, os investigadores substituíram a percentagem de petróleo no fabrico de plásticos compostáveis.
"Os plásticos não são apenas petróleo. Têm outros tipo de componentes que também podem ser naturais. Têm alguns pequenos aditivos que também podem ser de origem biológica e tudo isso forma parte da composição dos plásticos", sublinha Mari José Suárez, investigadora de polímeros funcionais e sustentáveis na aliança Gaiker.

Este material inovador está a ser testado numa exploração de mexilhões no norte de Espanha | Camille Bello - UE/Euronews
As redes-fantasmas
As Nações Unidas estimam que haja 640 mil toneladas de equipamento de pesca perdido no mar. Conhecidas por redes-fantasmass demoram centenas de anos a serem recicladas na natureza, para além de serem uma ameaça às espécies marinhas, prendendo e matando muitos animais.
Além de poluírem as águas com microplásticos, estas redes são também um risco para a navegação.
O projeto OCEANETS desenvolveu uma APP que permite a comunicação entre embarcações para partilha de localização onde se perderam as redes.
"É uma ferramenta que nos permite, caso nos encontremos com algum problema, informar os restantes barcos para que saibam que nesta zona, a uma determinada profundidade, numa determinada coordenada, podem deparar-se com um obstáculo que lhes pode romper a rede ou mesmo fazê-los perder o equipamento por completo", declarou Ángela Cortina Burgueño, diretora de projetos na Cooperativa de Armadores de Pesca do Porto de Vigo (ARVI).
As sobras das redes remendadas podem ter uma nova vida.
Pelo menos 180 pescadores já aprenderam a sinalizar e recuperar as artes de pesca perdidas no mar.

Microship para redes de pesca do Projeto Adrinet | UE/Euronews
"A rastreabilidade permite responsabilizar os pescadores em relação aos seus equipamentos e ajuda as autoridades a encontrar quem abandonou as eventuais redes no mar", sublinha Elisabetta Bonerba, coordenadora do projeto Adrinet.
"Muitas vezes, são os próprios pescadores que nos fornecem as coordenadas das redes que se encontram no fundo do mar", acrescenta Pietro Vicedomini, comandante da Guarda Costeira de Talian.
Esta parceria de limpeza do fundo do mar já permitiu à Guarda Costeira italiana resgatar mais de seis toneladas de redes fantasmas em 32 ações de limpeza.
Das recomendações saídas da reunião de maio do Conselho Europeu, os Estados-membros são convocados a promoverem políticas que mantenham os mares saudáveis e se aproximem da Economia Azul europeia.
Aquicultura
A aquicultura está assinalada como uma promissora atividade económica e social das comunidades costeiras, mas as cordas e as redes plásticas que envolvem as caixas dos viveiros produzem muitos resíduos.
Recorrendo a tecnologia inovadora, o projeto europeu BIOGEARS, coordenado pelo centro de investigação AZTI, sediado em Espanha, desenvolveu cordas feitas de materiais orgânicos.
Linhas produzidas com materiais orgânicos em substituição do petróleo | Camille Bello - UE/Euronews
"É o primeiro protótipo desenvolvido no BIOGEARS. São materiais bioplásticos provenientes de fontes naturais e, por isso, biodegradáveis. Os resíduos gerados por estas cordas são mais sustentáveis, amigos do meio ambiente e representam valor acrescido para o sector", explicou Leire Arantzamendi Egiguren, do centro AZTI, citada na Euronews.
A partir de materiais naturais derivados de biomassa reciclável, como o açúcar vegetal, os investigadores substituíram a percentagem de petróleo no fabrico de plásticos compostáveis.
"Os plásticos não são apenas petróleo. Têm outros tipo de componentes que também podem ser naturais. Têm alguns pequenos aditivos que também podem ser de origem biológica e tudo isso forma parte da composição dos plásticos", sublinha Mari José Suárez, investigadora de polímeros funcionais e sustentáveis na aliança Gaiker.
Este material inovador está a ser testado numa exploração de mexilhões no norte de Espanha | Camille Bello - UE/Euronews
As redes-fantasmas
As Nações Unidas estimam que haja 640 mil toneladas de equipamento de pesca perdido no mar. Conhecidas por redes-fantasmass demoram centenas de anos a serem recicladas na natureza, para além de serem uma ameaça às espécies marinhas, prendendo e matando muitos animais.
Além de poluírem as águas com microplásticos, estas redes são também um risco para a navegação.
O projeto OCEANETS desenvolveu uma APP que permite a comunicação entre embarcações para partilha de localização onde se perderam as redes.
"É uma ferramenta que nos permite, caso nos encontremos com algum problema, informar os restantes barcos para que saibam que nesta zona, a uma determinada profundidade, numa determinada coordenada, podem deparar-se com um obstáculo que lhes pode romper a rede ou mesmo fazê-los perder o equipamento por completo", declarou Ángela Cortina Burgueño, diretora de projetos na Cooperativa de Armadores de Pesca do Porto de Vigo (ARVI).
As sobras das redes remendadas podem ter uma nova vida.
O projeto OCEANETS, em parceria com o Instituto Tecnológico espanhol do Plástico, pretende demonstrar o valor comercial da reciclagem. Reciclando as velhas redes de pesca em novas linhas têxtil, já se produz vestuário desportivo.
"Devido à procura cada vez maior que temos por produtos reciclados, estas sobras estão a começar a entrar no mercado, não como resíduos, mas como produtos que se podem valorizar", acrescentou Ángela Cortina.
ADRINET é um outro projeto europeu que tem como missão melhorar o sistema de gestão costeira conjunta entre o sul de Itália, do Montenegro e da Albânia. Esta Rede Adriática para Ecossistema Marinho pretende preservar a biodiversidade ameaçada pela pesca intensiva e pela poluição causada pelos macro e microplásticos das redes perdidas. Para isso conta com o recurso a microships colocados nos equipamentos de pesca com informação de coordenadas de geolocalização.
"Devido à procura cada vez maior que temos por produtos reciclados, estas sobras estão a começar a entrar no mercado, não como resíduos, mas como produtos que se podem valorizar", acrescentou Ángela Cortina.
ADRINET é um outro projeto europeu que tem como missão melhorar o sistema de gestão costeira conjunta entre o sul de Itália, do Montenegro e da Albânia. Esta Rede Adriática para Ecossistema Marinho pretende preservar a biodiversidade ameaçada pela pesca intensiva e pela poluição causada pelos macro e microplásticos das redes perdidas. Para isso conta com o recurso a microships colocados nos equipamentos de pesca com informação de coordenadas de geolocalização.
Pelo menos 180 pescadores já aprenderam a sinalizar e recuperar as artes de pesca perdidas no mar.
Microship para redes de pesca do Projeto Adrinet | UE/Euronews
"A rastreabilidade permite responsabilizar os pescadores em relação aos seus equipamentos e ajuda as autoridades a encontrar quem abandonou as eventuais redes no mar", sublinha Elisabetta Bonerba, coordenadora do projeto Adrinet.
"Muitas vezes, são os próprios pescadores que nos fornecem as coordenadas das redes que se encontram no fundo do mar", acrescenta Pietro Vicedomini, comandante da Guarda Costeira de Talian.
Esta parceria de limpeza do fundo do mar já permitiu à Guarda Costeira italiana resgatar mais de seis toneladas de redes fantasmas em 32 ações de limpeza.