Teletrabalho e menos viagens de avião. Bruxelas quer menos consumo de energia e combustíveis

Teletrabalho e menos viagens de avião. Bruxelas quer menos consumo de energia e combustíveis

Teletrabalho, viagens partilhadas, redução do preço dos transportes públicos e apoio aos consumidores mais vulneráveis. Estas são algumas das 55 medidas que Bruxelas quer implementar para enfrentar a crise energética.

Andrea Neves - RTP antena 1 /
Imagem criada por IA - RTP

A Comissão defende medidas imediatas, mas também de longo prazo e diz aos Estados-membros que não se devem desviar do objetivo maior de assegurar a transição energética e de avançar para uma Europa livre de combustíveis fósseis.

Estas propostas vão já estar em cima da mesa na reunião que junta no Chipre os chefes de Estado e de Governo e os presidentes das Instituições Europeias.

As medidas são apresentadas nesta quarta-feira depois da reunião do Colégio de Comissários ainda em Bruxelas, mas com os Chefes de Estado e de Governo já a fazer as malas para o Chipre onde se vão reunir no fim desta semana.

A reunião é informal, o que significa que não haverá decisões formais, mas nada impede os líderes de analisar as propostas da Comissão Europeia, de pedir mais ou de começar a delinear a aplicação nacional das sugestões do executivo comunitário.

Na versão preliminar, a que a RTP Antena 1 teve acesso, Bruxelas apresenta uma série de medidas na chamada tool box, a tal caixa de ferramentas que a Comissão apresenta e onde cada estado-membro pode ir buscar aquelas de que precisa para reparar os danos causados pela guerra no Irão.

Para mitigar os efeitos da crise energética, num cenário incerto, sem convicções firmes sobre a abertura ou não do Estreito de Ormuz e com os preços da energia a subir, Bruxelas quer decisões coordenadas entre os países e sugere aos governos medidas gerais em várias áreas.Transportes

A comissão quer que, sempre que possível, as empresas criem um dia de teletrabalho obrigatório em cada semana, para que haja menos consumo de combustível.

E para os outros dias sugere boleias, viagens partilhadas, e até mesmo a criação de dias em que os veículos estejam, de forma alternada, impedidos de entrar nas cidades.

E para isso quer que os governos incentivem o uso de transportes públicos, reduzindo o preço das viagens e dos passes que devem até ser gratuitos para as classes mais vulneráveis.

E os países devem também baixar os preços das viagens de comboio, incentivar a compra ou o uso de plataformas de bicicletas partilhadas.

Nesta proposta da Comissão Europeia defende-se também a redução de viagens de avião para os funcionários de empresas privadas e públicas.

Bruxelas rejeita que exista falta de combustíveis, para já, mas admite que o jet fuel para os aviões é uma questão a seguir com atenção.

A mais longo prazo Bruxelas admite que os veículos elétricos possam ser isentos de portagens e para já considera essencial que haja mais incentivos à compra destes meios de transporte e mais investimento nos pontos de carga.
Apoiar os consumidores
No documento preliminar a que a RTP Antena 1 teve acesso, e que será concretizado esta quarta-feira, surge também o apoio a famílias vulneráveis como outra das linhas que Bruxelas aconselha aos executivos nacionais.

Desde que sejam medidas direcionadas, limitadas e concretas. Podem ser concretizadas através de vales de energia, preços regulados temporariamente, reduções totais ou parciais de impostos especiais sobre a eletricidade e uma proibição temporária de cortes de energia.

Mais, os fornecedores de energia devem apresentar aos consumidores o melhor plano de acordo com os seus gastos, e criar sistemas de alerta para quando se registem picos de consumo.

A Comissão preconiza ainda a garantia de que os consumidores podem facilmente mudar de fornecedor para um mais barato e que não deve haver barreiras se quiserem mudar o consumo de eletricidade das horas de maior procura para outras mais baratas.
Edifícios, aquecimento e ar condicionado
E para poupar no consumo de energia o executivo liderado por Ursula von der Leyen quer medidas para que os edifícios não a desperdicem. Os públicos devem ser fechados sempre que possível e aconselha-se um ajuste aos sistemas centralizados de ar condicionado para aumentar a eficiência e reduzir o uso de energia para aquecimento ou arrefecimento dos espaços.

A Comissão quer também incentivar e a regulação da temperatura das caldeiras dos consumidores domésticos abaixo de 50°C e defende incentivos fiscais para a substituição de aparelhos de cozinha a gás por elétricos.

Bruxelas incentiva ainda o desenvolvimento de comunidades de energia autossustentáveis o que pode ser alcançado por mais incentivos fiscais e um uso mais direcionado de fundos comunitários para apoiar os consumidores-produtores.

Para apoiar as empresas, a Comissão Europeia quer mais investimentos em energias renováveis, armazenamento e eficiência energética e incentivos para substituir motores elétricos ineficientes e sistemas fósseis por renováveis.
Coordenação

Bruxelas admite que as medidas coordenadas ao abrigo do RepowerEU permitiram reduzir a procura de gás em 18 por cento entre agosto de 2022 e março de 2023.

A proposta agora é que se ampliem as áreas de coordenação e medidas conjuntas no que se refere ao armazenamento de gás, libertação de reservas de petróleo, adoção de medidas nacionais de emergência e avaliação da disponibilidade de combustíveis para aviões e da capacidade da europa para refinar estes produtos
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