Timor-Leste precisa desbloquear economia do setor público para o privado
Díli, 19 jun (Lusa) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou hoje às autoridades de Timor-Leste a aplicação de medidas para desbloquear a economia do setor público para o privado para aumentar o número de empregos e combater a pobreza.
"Desenvolver o setor privado organizado vai transformar-se numa prioridade crescente para que Timor-Leste desbloqueie a economia do setor público para o privado", afirmou o FMI.
Segundo aquela organização, vai ser preciso "melhorar a competitividade e constrangimentos institucionais".
"Em relação à competitividade do custo do trabalho, a prioridade é reduzir a inflação e nivelar os salários com os seus parceiros da Associação das Nações do Sudeste Asiático. Os investimentos de capital nas infraestruturas e transportes continuam uma prioridade", salientou.
A recomendação foi feita num comunicado hoje divulgado à imprensa na sequência de uma visita (entre dia 05 e segunda-feira) ao país de uma missão do FMI para discutir o desenvolvimento económico a médio prazo.
Segundo o comunicado, Timor-Leste apresenta "progressos substanciais quando entra na segunda década da sua independência. A economia não petrolífera tem crescido nos últimos anos a ritmo médio de 12 por cento o que permitiu que o rendimento per capita aumentasse progressivamente".
Mas, salientou o FMI, aquele crescimento foi "conduzido por um rápido aumento nas despesas públicas que impulsionaram os setores da administração pública e da construção".
"Até agora, as contribuições para a economia do setor agrícola e da indústria têm sido modestos, dificultando oportunidades de emprego fora do setor público e provocando restrições nas melhorias da qualidade de vida ", referiu.
Segundo o documento, os encontros com as autoridades timorenses focaram-se nos desafios para um crescimento de maior qualidade, que precisa de um setor privado organizado, que opere de forma independente dos contratos com o governo.
Para o FMI, a economia precisa de começar a gerar oportunidades de emprego para que a força de trabalho, em rápido crescimento, assegure que o crescimento económico conduza à redução da pobreza.
A missão foi também informada que o governo antecipa uma "moderação substancial" no crescimento da despesa pública, o que vai trazer uma série de benefícios, nomeadamente reduzir a pressão da inflação na economia, ajudando a reduzir a pobreza, e diminuir a retirada de dinheiro adicional do Fundo Petrolífero, que já financia o orçamento geral de Estado.
O Fundo Petrolífero de Timor-Leste tinha em março de 2013 9,9 mil milhões de euros.
A inflação em 2012 é de 10 por cento, o que, segundo o FMI, reflete um "forte aumento da procura e constrangimentos na oferta".
"Além de atingir as famílias com baixos rendimentos, a inflação elevada dificulta a capacidade de Timor-Leste de diversificar e gerar o crescimento do mercado de emprego", alertou o FMI.
No que respeita ao novo caminho da despesa pública, o FMI salientou que vai exigir escolhas políticas e identificação de prioridades focadas "num maior valor-custo".
"Se por um lado, deve ser dada prioridade ao financiamento de infraestruturas chave (estradas, portos e aeroportos) do que a projetos caros com baixo potencial de criação de emprego, por outro, o desafio é aumentar a despesa com a saúde e a educação", acrescenta.
Durante a sua estada em Timor-Leste, a missão do FMI reuniu-se com a ministra das Finanças, Emília Pires, com o governador do Banco Central, Abrão Vasconcelos, representantes do setor privado e da sociedade civil.