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Trabalhadores da TAP aderem "em força" à greve geral de 24 de Novembro

Trabalhadores da TAP aderem "em força" à greve geral de 24 de Novembro

Os trabalhadores da TAP reuniram-se na tarde desta terça-feira em plenário convocado pelos sete sindicatos que representam o universo laboral da transportadora nacional e decidiram apoiar a greve geral de 24 de Novembro. A empresa não consegue estimar o efeito da paralisação enquanto o Governo apelou ao bom senso dos trabalhadores.

Eduardo caetano, RTP /
Empresa admite atrasos, cancelamentos e profundos incómodos para os passageiros no próximo dia 24 de Novembro DR

Com hora marcada para as 15h00, os trabalhadores da TAP- Air Portugal reúnem-se nas instalações da TAP, respondendo a uma convocatória do SITAVA (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos), do STHA (Sindicato dos Técnicos de Handling dos Aeroportos), do SINTAC (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil), do SQAC (Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial), do SNPVAC (Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil), do SIMA (Sindicato das Indústrias Metalúrgica s e Afins) e do SITEMA (Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves).

Geralmente divididos, estão de momento juntos para decidir a adesão dos trabalhadores da transportadora aérea de bandeira de Portugal à greve geral convocada pelas duas centrais sindicais, a CGTP e a UGT.

Do plenário desta terça-feira sai uma mensagem consensual de apelo à adesão à paralisação geral do próximo dia 24 de Novembro.

"Estamos todos juntos, toda a gente meteu pré-aviso de greve e sete sindicatos convocaram - num comunicado conjunto- este plenário. Estaremos lá os sete a defender o mais elementar neste momento: uma adesão em massa, uma adesão histórica, e mesmo essa palavra é pouca para espelhar o que esperamos (a 24 de Novembro)", afirmou o presidente do Sindicato dos Técnicos de Handling dos Aeroportos (STHA), André Teives.

Este sindicato tem agora uma motivação extra para aderir à greve geral. A convocatória para o plenário aconteceu antes de ser conhecida o encerramento das operações pela Groundforce em Faro e o anunciado despedimento de 336 trabalhadores que aí operavam.

O impacto da grave nos serviços da empresa não é contabilizado pela empresa.
O porta-voz António Monteiro reconhece que vai ser complicado e prevê um dia de grandes dificuldades para os passageiros com viagens marcadas para a quarta-feira da próxima semana, quando se realiza a greve geral.

«Vai ser um dia difícil para os passageiros que têm voos marcados nesta data. Daí que aconselhamos vivamente que contactem os nossos serviços de reservas ou os agentes de viagens e tentem mudar para outros dias», aconselha.

Se a empresa não consegue fazer uma antevisão dos problemas, o certo é que os sindicatos prevêem uma forte adesão dos trabalhadores e uma concomitante e histórica adesão a uma greve.

"Acho que está na cara: pilotos, pessoal de bordo, navegação, dos aeroportos. Dia 24 é serviços mínimos e não há mais nada. Disso não podemos ter dúvidas", garante André Teives.

Serviços mínimos garantidos
Garantidos parecem estar os serviços mínimos. A NAV- Navegação Aérea de Portugal e o sindicato dos controladores aéreos acordaram os serviços mínimos a garantir pelos controladores aéreos nos aeroportos nacionais.

Se este acordo é essencial para garantir a realização de qualquer voo já que sem eles nenhum avião poderia aterrar ou levantar voo dos aeroportos nacionais, o certo é que só por si não garante a realização dos mesmos já que quem pilota as aeronaves são os pilotos e esses não se sabe ainda qual o verdadeiro impacto na greve.

Os serviços mínimos acordados com a NAV serão "todos os voos impostos por situações críticas relativas à segurança de pessoas e bens, nos quais se compreendem os voos-ambulância, movimentos de emergência, considerando-se para o efeito as situações declaradas em voo, voos militares e voos de Estado", de acordo com fonte da empresa.

No que toca às regiões autónomas, foram acordados "dois voos diários de e para a Madeira, tendo respectivamente como origem e destino o Continente, três voos diários de e para os Açores, tendo respectivamente como origem e destino o Continente".

Entre as ilhas vai realizar-se um voo diário na Madeira e um voo diário para cada uma das ilhas dos Açores.

Por último, a NAV acordou com o sindicato incluir nos serviços mínimos a criação de sete "trajectórias de contingência nas Regiões de Informação de Voo de Lisboa e Santa Maria", de modo a garantir os sobrevoos entre "Europa/Caraíbas e América do Sul, Península/Caraíbas e América do Sul, África Ocidental/Canárias e América do Norte, Canárias/Europa e Europa/Canárias".

Os restantes sindicatos mantiveram reuniões com as empresas do sector mas as reuniões foram inconclusivas, e estando as posições “tão distantes” como explico André Teives do Sindicato dos Técnicos de Handling dos Aeroportos, ter-se-a que recorrer à arbitragem do Conselho Económico e Social para conseguir estabelecer os serviços mínimos a realizar pelos trabalhadores em greve.

"Vai tudo para o CES. Vamos ser notificados para o sorteio dos árbitros, que depois terão de lavrar um acórdão a definir os serviços mínimos", disse o sindicalista, que relatou ainda a diferença de posições.

"Não havia acordo possível. Entre empresas e sindicatos havia uma diferença abissal: as empresas queriam como serviços mínimos os voos quase todos e os sindicatos querem o que está na lei, ou seja, tudo o que for para satisfazer as necessidades sociais inadiáveis, voos de Estado e de emergência e voos de ambulância", disse.

"Além disso, (os sindicatos admitiam) um voo para os Açores. Para a Madeira está liberalizado, logo não há serviço público", ressalvou André Teives.

A TAP por seu lado exigia “os voos todos para as ilhas – Funchal, Porto Santos e os Açores todos – e a Portway queria mesmo um voo para cada rota e até voos cargueiros”, acrescentou o sindicalista.

Não conseguindo o acordo o Ministério do Trabalho deu como concluída a sua intervenção e remeteu tudo para o Conselho Económico e Social.

Governo apela a bom senso dos trabalhadores
O Governo, pela voz do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, veio fazer um apelo aos trabalhadores do sector da aviação civil em relação à sua eventual participação na greve geral do próximo dia 24 de Novembro.

"Estou a acompanhar a evolução da situação com toda a atenção, como é normal", afirmou António Mendonça à margem da III edição do Fórum Internacional Easyway a decorrer em Porto Salvo.

O governante apelou "ao bom senso de todos neste processo" numa altura em que "o país está a travessar uma situação difícil".
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