UE assina com Moçambique novos acordos de 118 milhões de euros em energia, educação e digital

UE assina com Moçambique novos acordos de 118 milhões de euros em energia, educação e digital

A União Europeia (UE) assinou hoje com o Governo moçambicano, em Maputo, três novos acordos de financiamento em áreas como energia, educação e transição digital, com financiamento direto de 118 milhões de euros.

Lusa /
Mário Galego - RTP Antena 1

Os acordos, assinados na sessão de abertura do segundo Fórum de Negócios Moçambique -- União Europeia (Global Gateway), envolvem um projeto para resiliência e acesso a energia, financiado com 40 milhões de euros, reforço da educação, com 50 milhões de euros, e no desenvolvimento de serviços digitais inclusivos e acessíveis, com 28 milhões de euros.

O fórum decorre até quarta-feira em Maputo e, na abertura, que contou a presença do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, foi ainda assinado simbolicamente um quarto projeto, já em desenvolvimento desde 2025, denominado Valor Verde para o Crescimento em Moçambique, que também conta com apoio dos Países Baixos, e financiamento da UE de 50 milhões de euros, para promover um desenvolvimento verde e resiliente ao clima.

Segundo o ministro da Economia, Basílio Muhate, este fórum vai centrar-se "em áreas-chave para o desenvolvimento económico" de Moçambique, "com destaque para a industrialização, energia limpa, infraestrutura de transporte, conectividade digital, agronegócios e turismo sustentável". Inscreveram-se mais de 1.300 entidades, entre empresas, instituições financeiras, incluindo 125 startups, 448 empresas privadas, das quais 186 europeias e 226 são empresas africanas.

Na abertura do fórum, que reúne ainda missões empresariais de vários países europeus, marcou presença o ministro Adjunto e para a Reforma do Estado no Governo português, Gonçalo Matias, e a diretora-geral adjunta para parcerias internacionais da Comissão Europeia, Myriam Ferran.

"Estamos realmente a construir juntos uma parceria forte, uma parceria que é de confiança, testada e em crescimento. E porque hoje não é um ponto de partida, o dia de hoje é apenas mais um marco numa caminhada em que trabalhamos juntos há muito tempo", destacou, na abertura do fórum, Myriam Ferran.

Acrescentou que na edição de 2023 iniciou-se um "novo capítulo", reunindo instituições públicas e privadas de Moçambique e da UE, o que permitiu "identificar e falar de verdadeiras oportunidades de investimento".

"Esperamos que todos os presentes nesta sala possam aproveitar as oportunidades que vos oferecemos, seja através de debates entre representantes das empresas e do Governo, mas sobretudo através de eventos entre empresas, para chegar a resultados concretos, porque o que esperamos do evento de hoje são acordos efetivos e investimentos concretos", disse a diretora-geral adjunta para parcerias internacionais da Comissão Europeia.

Acrescentou que a UE "quer ser vista como um parceiro de confiança de Moçambique e não um parceiro de conveniência": "Não um parceiro que vem e vai, mas um parceiro que aparece nos bons momentos e nos momentos difíceis. E temos estado ao lado de Moçambique nas circunstâncias bastante dramáticas a que o mundo inteiro assistiu nos últimos anos, desde os ciclones destruidores até à fase de reconstrução, mas também em termos de paz e segurança, juntamente com o Governo e a população durante o período da covid".

"Trata-se, portanto, de um projeto a longo prazo que queremos marcar e apoiar", insistiu Myriam Ferran, assumindo que o objetivo do investimento que se tenta canalizar é "criar crescimento e emprego, seja na educação, na governação, no acesso à energia ou nas ferramentas digitais".

"E é exatamente por isso que estamos aqui hoje, e é exatamente isso que a Estratégia Global Gateway da União Europeia pretende apoiar", apontou.

O Global Gateway é a estratégia global da UE para investir em infraestruturas sustentáveis e confiáveis que beneficiem as pessoas e o planeta, como foco no reforço de ligações inteligentes, limpas e seguras em áreas como digital, energia e transporte, além de fortalecer os sistemas de saúde, educação e pesquisa.

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