Venda de dólares à banca comercial angolana aumenta mais 30% em junho
Luanda, 30 jun (Lusa) - O Banco Nacional de Angola (BNA) vendeu em junho 2.350 milhões de dólares (1.700 milhões de euros) à banca comercial do país, um aumento de cerca de 30 por cento face ao mês anterior, revelam dados oficiais hoje conhecidos.
De acordo com o boletim semanal do BNA, a que a Lusa teve acesso, a instituição vendou divisas no montante 600 milhões de dólares (438 milhões de euros) na última semana de junho, elevando a 2.350 milhões de dólares o total do mês.
Este montante compara com vendas de 1.660 milhões de dólares (1.200 milhões de euros) à banca comercial do país durante o mês de maio, o que por si só representou, na altura, um aumento de 74,7% face a abril, também de acordo com dados do BNA.
Na semana entre 23 e 27 de junho, o volume de compras de divisas dos bancos diretamente a clientes cifrou-se, por seu turno, em 341,9 milhões de dólares (250 milhões de euros).
Entre janeiro e maio, o volume total de vendas de divisas no mercado cambial ascendeu a 12,6 mil milhões de dólares (9,2 mil milhões de euros), um aumento de 25,7% face aos primeiros cinco meses de 2013, de acordo com informação do banco central angolano.
O governador do BNA, José de Lima Massano, justificou na semana passada a injeção de divisas no sistema bancário com as quebras nas receitas do setor petrolífero e suas consequências nas restantes operações.
"Temos estado a colocar mais moeda, sobretudo nas últimas sessões, porque também nos apercebemos de que havia um crescendo a nível da procura", explicou.
José de Lima Massano admitiu que a medida surge quando algumas das entidades que "com regularidade vinham vendendo moeda" à economia, "particularmente o setor petrolífero", reduziram "ligeiramente" essas operações.
"O Banco Nacional de Angola entendeu, depois de se aperceber de um quadro em que algumas operações se iam atrasando já ao nível do sistema, incrementar a colocação de divisas", disse ainda.
Este esclarecimento surge depois das dificuldades apresentadas por bancos comerciais em Angola na resposta aos pedidos de levantamento ou transferência de dólares norte-americanos pelos clientes.
Segundo a imprensa local, algumas instituições limitaram mesmo os montantes máximos das operações.
A nova Lei Cambial para o Setor Petrolífero, alterações nas regras de importação de dólares por parte dos bancos e a queda das receitas petrolíferas são apontadas como estando na origem desta situação.