Vice-presidente do Brasil diz que país "muda de status" com parceria digital com UE

Vice-presidente do Brasil diz que país "muda de status" com parceria digital com UE

O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, afirmou à Lusa que o Brasil "muda de status em relação à União Europeia" com a assinatura da Parceria Digital entre as duas partes, marcada para hoje.

Lusa /
Foto: Reuters

Alckmin fez a declaração na quinta-feira, após um encontro à noite no Palácio do Planalto com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen.

A aproximação ocorre num contexto de fortalecimento das relações bilaterais impulsionado também pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), referiu.

"Estamos num outro nível de relação Brasil-Europa, um acordo Mercosul-União Europeia histórico (...) e abre muitas oportunidades de investimentos recíprocos, comércio exterior, abertura de mercado e melhor integração das cadeias produtivas", continuou.

"Ela [Henna Virkkunen] que é vice-presidente da área digital assina uma parceria digital. Então, o Brasil muda de status em relação à União Europeia. E isso abre possibilidade de pesquisa, de investimento e conectividade enorme", declarou.

De acordo com o comunicado do Governo brasileiro, a Parceria Digital está baseada nos avanços acumulados ao longo de quase duas décadas de diálogo bilateral.

O novo instrumento prevê intensificar a cooperação em governança da inteligência artificial, infraestrutura pública digital, conectividade, proteção de dados, semicondutores, computação de alta performance, inovação científica e tecnológica e governança global do ambiente digital.

Questionado sobre o contexto internacional da aproximação entre o Brasil e a UE, Alckmin reiterou a defesa do multilateralismo: "O Brasil defende o multilateralismo e abrir mercado, conquistar novos mercados, enfim, diversificar é importante."

A assinatura da parceria ocorre num cenário geopolítico complexo em que o bloco europeu procura alternativas para reduzir a dependência tecnológica diante da rivalidade entre os Estados Unidos e a China.

Horas antes, durante a palestra na Web Summit Rio, no Rio de Janeiro, Henna Virkkunen afirmou que o Brasil se juntará a Japão, Coreia do Sul, Singapura e Canadá como parceiro digital da UE.

"Este será o nosso quinto acordo de parceria digital. Queremos aprofundar a cooperação com parceiros confiáveis, criar melhores oportunidades para empresas dos dois lados e fortalecer nossa colaboração em tecnologias", afirmou.

Virkkunen disse ainda que, na semana passada, o bloco europeu apresentou um novo pacote de soberania tecnológica e de Inteligência Artificial.

"O objetivo é reduzir a dependência de computação em nuvem, semicondutores e software estrangeiros e, pelo menos, triplicar a capacidade de seus centros de dados até 2030", discursou.

Ainda sobre o encontro com Virkkunen, Alckmin também destacou o potencial brasileiro para receber investimentos em centros de dados (`data center`, em inglês), devido à grande oferta de energia renovável do Brasil.

"O que limita hoje `data center` no mundo é falta de energia e nós temos energia abundante e ainda energia renovável", indicou.

Alckmin afirmou à Lusa que apresentou à representante europeia o programa Redata aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado.

O programa cria incentivos tributários para atrair investimentos que podem superar 100 mil milhões de reais (16,8 milhões de euros), segundo o vice-presidente brasileiro.

 

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