Wall Street fecha em alta com semicondutores a liderarem o otimismo
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em alta, impulsionada pelo entusiasmo em torno das principais empresas de semicondutores e por resultados de empresas melhores do que o esperado, relegando as incertezas geopolíticas para segundo plano.
Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average subiu 0,74%, para 52.224,64 pontos, o Nasdaq Composite, com uma forte presença de empresas tecnológicas, avançou 1,29%, para 25.837,21 pontos, e o S&P 500, mais abrangente, subiu 0,89%, para 7.509,20 pontos.
"Estamos a assistir a uma recuperação generalizada ligada ao apetite pelo risco", impulsionada sobretudo pelo setor dos semicondutores, analisou José Torres, da Interactive Brokers.
O setor tem passado por períodos turbulentos nos últimos meses, pressionado pelas preocupações com os investimentos maciços em inteligência artificial (IA) e a sua rentabilidade.
"Mas o mercado parece pronto para tentar mais uma vez reanimar as ações do setor", observou Patrick O`Hare, da Briefing.com.
Neste contexto, a gigante tecnológica Nvidia subiu 1,97%, a Broadcom avançou 2,21%, a AMD disparou 8,11% e a Micron saltou 12,17%.
O mercado norte-americano também foi impulsionado pelas notícias positivas sobre empresas, uma vez que a época de balanços do segundo trimestre está a todo o vapor, observou Sam Stovall, analista da CFRA, em entrevista à agência France-Presse (AFP).
A fabricante automóvel General Motors (GM) subiu 4,89%, fechando a cotar nos 79,51 dólares, depois de ter elevado hoje várias projeções anuais, apesar das despesas relacionadas com o seu negócio de veículos elétricos.
O conglomerado industrial 3M (Scotch, Post-it) subiu 7,33% para 170,77 dólares, beneficiando de um momento semelhante. Após um trimestre que superou as expectativas, a empresa aumentou a sua previsão para o ano fiscal completo.
"Wall Street espera que os resultados continuem a surpreender pela positiva", observou Sam Stovall.
A Alphabet, empresa-mãe da Google, e a Tesla, especialista em veículos elétricos, vão divulgar os seus resultados financeiros na quarta-feira. A gigante dos microprocessadores, Intel, fará o mesmo na quinta-feira.
"Espera-se que o setor tecnológico registe um aumento de 61% nos lucros em comparação com o ano anterior, enquanto o setor dos semicondutores deverá apresentar um aumento de 140%", explicou Stovall.
"As expectativas são muito elevadas e, se forem cumpridas, a questão será o que será atingido no próximo trimestre", acrescentou o analista.
Focado nos resultados empresariais, Wall Street pareceu ignorar mais uma subida dos preços do petróleo, mesmo com a continuidade do conflito no Médio Oriente.
"Estas tensões preocupam os analistas do setor energético e os observadores do mercado obrigacionista, que temem tanto uma escassez de oferta como aumentos das taxas de juro por parte da Fed (o banco central dos EUA), juntamente com expectativas de inflação mais elevadas", explicou José Torres.
O preço do petróleo Brent, referência global, fechou hoje acima dos 90 dólares por barril, pela primeira vez desde o início de junho.
No mercado obrigacionista, o rendimento do título do Tesouro norte-americano a 10 anos subiu para 4,63% por volta das 21:30 (hora de Lisboa), em comparação com 4,59% no fecho do dia anterior. Está a acompanhar amplamente a evolução dos preços do petróleo.