Wall Street fecha em forte queda após Fed manter taxas de juro inalteradas
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje em forte queda, após a Reserva Federal (Fed) dos EUA ter optado por manter as taxas de juro inalteradas, a escalada dos rendimentos das obrigações e o aumento dos preços do petróleo.
Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average caiu 2,19%, para 51.594,14 pontos, o tecnológico Nasdaq Composite recuou 1,74%, para 24.442,94 pontos, e o S&P 500, mais abrangente, caiu 1,52%, para 7.316,15 pontos.
Após a sua tradicional reunião de dois dias, o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) decidiu manter as taxas de juro na faixa de 3,50% a 3,75% pela quinta vez consecutiva.
Em teoria, Wall Street vê com bons olhos um ambiente monetário flexível, propício ao crescimento dos negócios e aos investimentos.
"Mas continuamos numa situação em que a questão da subida dos preços ainda não está resolvida", alertou Adam Sarhan, da 50 Park Investments, à agência France-Presse (AFP), uma vez que a inflação é alimentada pela guerra no Médio Oriente.
Mesmo dentro da Fed, as opiniões divergiram e três dos seus membros votaram a favor do aumento da taxa de juro.
Neste contexto, os investidores "não estão convencidos de que a estabilidade de preços será garantida", apontaram os analistas do Briefing.com.
Sobretudo porque os preços do petróleo dispararam hoje, com o retomar das hostilidades no Médio Oriente, após alguns dias de acalmia, a reacender os receios de interrupção no fornecimento global.
No mercado obrigacionista, a taxa dos títulos do Tesouro norte-americano com maturidade a 30 anos atingiu o seu nível mais elevado desde 2007, ligeiramente acima dos 5,22%, face aos 5,09% do fecho do dia anterior.
O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano com maturidade a 10 anos subiu para 4,69%, em comparação com pouco menos de 4,61% na terça-feira.
Quando as expectativas de inflação aumentam, os investidores exigem um maior retorno do investimento para manter as suas margens.
No âmbito corporativo, os investidores mantiveram uma postura de cautela antes da divulgação dos resultados trimestrais da Microsoft e da Meta (Facebook, Instagram), dois gigantes tecnológicos norte-americanos.
Divulgado após o encerramento de Wall Street, o desempenho financeiro da Microsoft superou as expectativas, com o grupo a ser ainda impulsionado pela computação em nuvem (`cloud`) e pela inteligência artificial (IA).
A Meta, por outro lado, anunciou lucros trimestrais abaixo do esperado, impactada pelos custos legais, ao mesmo tempo que aumenta ainda mais os seus gastos em massa em IA.
As ações da Microsoft subiram 3,01% após o fecho da bolsa, enquanto as da Meta caíram 6,59%.
"Os resultados perfeitos são agora a norma. E qualquer deceção pode desencadear uma reação particularmente severa por parte do mercado", vincou Jack Ablin, analista da Cresset.
Principalmente porque o setor tecnológico tem vindo a ser abalado há vários meses por preocupações relacionadas com os investimentos em massa necessários para o desenvolvimento da IA e com a ascensão da concorrência chinesa.
Os resultados da Apple e da Amazon são esperados para quinta-feira.
No mercado bolsista, o setor dos semicondutores voltou a fechar em forte queda, com gigantes como a Nvidia (-3,55%), a AMD (-5,51%), a Broadcom (-2,78%) e a Micron (-9,94%).