Wall Street fecha sem rumo com investidores `afastados` dos semicondutores
A bolsa nova-iorquina encerrou hoje sem rumo, com os investidores a mudarem o seu foco do setor dos semicondutores para outras ações, enquanto acompanhavam de perto a reunião do banco central norte-americano (Fed).
Os resultados definitivos da sessão indicam que o incide seletivo Dow Jones Industrial Average, fortemente ponderado pelas ações industriais, subiu 1,03%, para 52.747,32 pontos, enquanto o Nasdaq Composite, que acompanha as principais empresas tecnológicas, caiu 0,22%, para 24.876,91 pontos. O índice S&P 500, mais abrangente, subiu 0,22%, para 7.428,78 pontos.
"No geral, o mercado revelou-se sólido hoje, (...) com a única área de fraqueza real vinda do setor dos semicondutores", realçou à agência France-Presse (AFP) Patrick O`Hare, analista da Briefing.com.
As ações industriais beneficiaram de resultados empresariais melhores do que o esperado, observou O`Hare, o que explica o melhor desempenho do Dow Jones.
Foi o caso da gigante americana de bebidas Coca-Cola (+5,04%, para 88,31 dólares), que registou um aumento de 16% no seu lucro líquido no último trimestre face ao período homólogo, impulsionado pelo aumento do volume de vendas, ligado, entre outros fatores, ao Mundial de Futebol.
A fabricante de aviões Boeing (+4,74%, para 221,53 dólares) também registou uma subida após uma melhoria na sua receita e `cash flow` (fluxo de caixa).
O setor industrial também beneficiou hoje com a queda adicional dos preços do petróleo após a pausa nas hostilidades no Médio Oriente, observaram os analistas.
Desde a passada quinta-feira, o preço do barril de petróleo Brent, a referência internacional, caiu mais de 17%, o suficiente para aliviar os receios inflacionistas.
Aproveitando a queda dos preços do petróleo, a taxa do título do Tesouro norte-americano a 10 anos caiu significativamente para 4,60% por volta das 21:40 (hora de Lisboa), em comparação com 4,65% no fecho do dia anterior.
Entretanto, o setor dos semicondutores, que tem um peso significativo em Wall Street, está a ser marcado há várias semanas pelas "preocupações com as perspetivas de rentabilidade" dos investimentos maciços em soluções de inteligência artificial (IA), explicou José Torres, da Interactive Brokers.
"As avaliações elevadas, as dinâmicas de financiamento circular e a concorrência chinesa" estão também a deixar os investidores inquietos, acrescentou o analista.
As ações da AMD caíram hoje 8,15%, assim como as da Micron (-8,85%). A Broadcom também fechou em queda (-0,60%), assim como a Intel (-5,86%) e a Qualcomm (-4,21%).
Neste contexto, os investidores estarão particularmente atentos aos resultados trimestrais das gigantes tecnológicas Microsoft e Meta na quarta-feira, seguidos pelos da Apple e da Amazon na quinta-feira.
Os investidores aguardam também o resultado da reunião de dois dias da Reserva Federal (Fed), que deverá manter as taxas de juro inalteradas, no mesmo nível desde dezembro (entre 3,50% e 3,75%).
"Mas a Fed pode surpreender o mercado" ao aumentar as taxas de juro para combater a inflação, que foi severamente impactada pela guerra no Médio Oriente, alertou Patrick O`Hare.
"Isto, sem dúvida, causaria turbulência nos mercados de ações", acrescentou.
Outro ponto de incerteza é o novo presidente do banco central, Kevin Warsh, que estabeleceu como princípio não dar qualquer indicação sobre o possível rumo da política monetária.
"A comunicação da Fed aumenta a incerteza", concluiu Kevin Ford, da Convera.