Associação de emigrantes aponta principais causas da abstenção

Associação de emigrantes aponta principais causas da abstenção

O voto presencial, a distância aos consulados e a falta de mais mesas de voto são apontados pela associação cívica Também Somos portugueses (TSP) como os principais obstáculos à participação dos emigrantes portugueses na primeira volta das presidenciais.

Lusa /

"As leis eleitorais portuguesas estão ultrapassadas e urge alterá-las para as adequar aos tempos modernos", defende a TSP em comunicado, a propósito da participação das comunidades portuguesas nas eleições de 18 de janeiro.

Ainda assim, o movimento reconhece a subida nesta votação, que registou 72.756 votos, o dobro dos contabilizados na reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2021 (29.153).

"Confirma-se uma vez mais que o voto apenas presencial não serve os portugueses no estrangeiro. A única alternativa é mesmo o voto digital (voto eletrónico remoto)", prossegue a associação, que promete tudo fazer para que o voto digital no estrangeiro seja adotado durante a presente legislatura.

Sobre o sentido do voto da maioria dos portugueses residentes no estrangeiro nesta eleição presidencial -- 40,93% votaram em André Ventura e 23,69% votaram António José Seguro -, a TSP considera que o mesmo "devia dar muito que pensar ao Governo, à Assembleia da República e à sociedade em geral, que deveria interpretá-lo também como um sinal claro de descontentamento".

E enumerou os principais problemas com que se debatem as comunidades portuguesas: ensino insuficiente da língua portuguesa, serviços consulares distantes e caros, dupla tributação dos reformados, apoios insuficientes aos reformados que desejem regressar a Portugal ou que aí permanecem por longos períodos, nomeadamente o acesso aos centros de saúde, bem como obstáculos ao exercício do direito do voto.

"Todos estes problemas exigem medidas vigorosas que tardam a chegar", afirmou, acrescentando que "os portugueses residentes no estrangeiro não se preocupam apenas com os seus próprios problemas, mas também com os que afetam os seus familiares e as suas comunidades de origem em Portugal".

António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, depois de, em 18 de janeiro, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31,12% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23,52%.

Os portugueses que residem no estrangeiro poderão exercer o seu direito de voto em 07 e 08 de fevereiro, para a segunda volta destas eleições, sendo que apenas o poderão fazer presencialmente, o que representa dificuldades acrescidas, dadas as grandes distâncias que em alguns casos têm de percorrer.

De acordo com uma fonte oficial da Comissão Nacional de Eleições (CNE), vão ser distribuídos novos boletins de voto, mas alguns emigrantes poderão ter de utilizar os boletins da primeira volta se os novos não chegarem a tempo.

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