Política
Entre Políticos
"CIP fez encenação pública para fazer pressão", acusa Carvalho da Silva
Manuel Carvalho da Silva acusa a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) de fazer "uma encenação pública para fazer pressão", referindo-se desta forma à posição apresentada pela CIP, nas vésperas da derradeira reunião entre parceiros, de ceder em várias matérias consideradas críticas para a UGT que continua a recusar o acordo em concertação social.
Fotografias: Jorge Carmona
E questiona: “qual é a validade da sua posição, se se está concertada com o Governo, eu não sei”. Para Carvalho da Silva a revisão da lei laboral “é uma reforma ideológica e carregada de preconceitos”. E relembra que não foi apresentada em campanha eleitoral, nem reivindicada pelos patrões. “Esta proposta está condenada na sociedade portuguesa, está recusada”, afirma.
O antigo responsável sindical entende que a proposta legislativa “conduz a maior precarização do trabalho e conduz à redução da retribuição por hora trabalhada”.
É preciso acabar com “a patetice de desvalorização do trabalho e do trabalhador”
E vai mais longe: “é preciso criar uma cultura que rompa com esta pretensa modernice, esta patetice autêntica de desvalorização do conceito de trabalho e de trabalhador”. "É um retrocesso civilizacional” diz Carvalho da Silva, em linha com a opinião de Ana Mendes Godinho.
No programa Entre Políticos a antiga ministra do Trabalho ironiza: “chama-se Trabalho XXI, ironicamente porque é mesmo trabalho do século XIX”.
No entender da socialista a reforma laboral pensada pelo Governo “quer embaratecer o trabalho através da fragilização das relações laborais”.
Governo “está alienado e perdeu controlo do processo”, acusa antiga ministra
Ao Entre Políticos Ana Mendes Godinho defende que “é evidente que estamos perante um processo de revisão laboral em que o Governo perdeu por completo o controlo político do processo”. “O Governo ficou preso numa bolha. Completamente alienado do mundo real”, acrescenta, ao mesmo tempo que acusa: “o grande problema desta reforma é que foi ideológica desde o momento zero. Foi uma vingança ideológica contra os trabalhadores e contra a Agenda do Trabalho Digno”. Neste momento Isaura Morais acena que não com a cabeça. A deputada do PSD recusa essa ideia defendendo a honra do Governo.
“Há motivos para fazer esta reforma”, garante. “Este governo não veio para deixar tudo na mesma”, acrescenta e assegura que “não é verdade que seja trabalhar mais horas e não as receber”.
E deixa o recado: “o que o PSD espera do PS é que possa agir como o PSD agiu com a Agenda do Trabalho Digno: em que o PSD no final viabilizou o diploma”. A social-democrata ainda deposita esperanças na UGT. “Admito e acredito que, à semelhança do que a CIP fez, que a UGT possa ter em consideração a proposta do Governo”.
“O que pretendíamos mesmo era que a UGT hoje também pudesse responder ao desafio do Governo, nesta que poderá ser a última reunião”, reforça.
No dia daquela que pode ser a derradeira reunião entre Governo e parceiros sociais, Isaura Morais admite que “não consigo antecipar o que vai acontecer na reunião de hoje”, mas vai dizendo: “esperamos que haja hoje esse entendimento antes de entrar no Parlamento”.
E à pergunta da editora de política, Natália Carvalho, se o Governo está disponível para ceder ao Chega, no que diz respeito a baixar a idade da reforma, a deputada do PSD é perentória: “nem pensar!”.
O programa Entre Políticos foi moderado pela jornalista Natália Carvalho.