Política
Entre Políticos
Ex-ministra Mariana Vieira da Silva acusa Governo de "desresponsabilização" e de falhar na gestão dos exames
A deputada e ex-ministra do PS Mariana Vieira da Silva considera que o Governo tem seguido um "padrão de desresponsabilização" perante os problemas e afirma que as falhas registadas no processo dos exames nacionais são apenas o exemplo mais recente.
Fotografias: Andreia Brito
No programa Entre Políticos, na RTP Antena 1, a socialista defendeu que o Executivo "estragou coisas que funcionavam bem há 30 anos" e criticou a forma como a AD tem respondido em áreas como a Educação ou a Saúde.
"Há um claro padrão, muito visível ao longo deste último ano. É um ano marcado, por um lado, pelo falhanço de todas as principais iniciativas políticas que o Governo tinha - e algumas eu festejo muito esse falhanço -, mas o que temos de avaliar é um falhanço total no que era a iniciativa política e uma demonstração de uma grande incapacidade de gerir o dia-a-dia da governação", disse.
Já sobre a correção dos exames nacionais, a deputada considera que o processo demonstrou falhas graves na capacidade de organização do Ministério da Educação.
"Não há nenhuma razão para, do ponto de vista logístico e organizacional, falhar tão redondamente", afirmou, defendendo que o modelo de exames funciona "desde o fim dos anos 90". No mesmo sentido, a antiga ministra apontou também críticas à reorganização das urgências de obstetrícia, defendendo que o Governo anuncia medidas "sem garantir" que existem condições para as concretizar.
"Podemos concordar ou discordar das urgências regionais. A verdade é que elas foram feitas e não funcionam. Os hospitais onde se concentrou a resposta não têm sequer espaço suficiente para serem urgências regionais", insistiu Mariana Vieira da Silva, que refere ainda que o Executivo não quer assumir responsabilidades políticas em várias matérias. "Há sempre uma diversidade de responsáveis e o Governo nunca assume essas responsabilidades", disse.
Quanto às críticas de responsáveis do PSD de que existe um "empolamento" da polémica em torno dos exames, Mariana Vieira da Silva responde com números: "Cinco dias depois do prazo para as provas estarem corrigidas, e já depois do prolongamento desse prazo, os professores ainda estavam a receber itens para classificação. Este processo foi extremamente danoso para uma coisa que é fundamental na vida de um jovem, que é a confiança no sistema e na justiça da sua avaliação".
"Não aceito esta ideia de que as provas só não estão corrigidas porque os professores estão a boicotar. Isto não é verdade. Ontem, às 22h30, depois do fim do prazo de correção, estavam a chegar dezenas e centenas de provas para corrigir", reiterou a ex-ministra de António Costa, que aponta: "É um Governo que não tem caminho, não tem estratégia, não tem políticas e só inventa desculpas".
PSD destaca ação do Governo e pede tempo para concretizar reformas
Em resposta às críticas da oposição, o deputado Cristóvão Norte defendeu, na Antena 1, que o debate sobre o Estado da Nação deve servir para sublinhar "aquilo que foi a ação governativa e o ímpeto de reforma" desenvolvido ao longo do último ano e não apenas para centrar-se na "perceção" dos portugueses sobre a situação do país.
"O que importa avaliar é se estão ou não a ser tomadas decisões estruturantes para o país e se essas decisões podem garantir um futuro melhor para todos nós", afirmou o social-democrata, que, entre as medidas adotadas, destaca: "Nos últimos dois anos não se registou nenhum aumento de impostos, o que é algo inédito na história da democracia portuguesa. Temos dívida pública completamente controlada abaixo dos 90%. Estamos a lançar programas fundamentais com vista a minorar as dificuldades no acesso à habitação. Têm-se feito esforços na área da saúde com recrutamentos de novos profissionais".
Apesar de fazer um balanço positivo do trabalho do Executivo, Cristóvão Norte reconheceu que persistem, no entanto, problemas estruturais.
"Há muito para fazer, há muito para melhorar. Precisamos de uma economia mais forte e capaz de gerar melhores salários", apontou o deputado, que defende "ciclos de estabilidade" para consolidar políticas e dá como exemplo a habitação: "Quando temos mais de 133 mil habitações em curso e alterações fiscais e legais para favorecer o aumento da oferta, estamos a criar condições para baixar o preço das casas".
O social-democrata sublinhou, contudo, que os resultados destas políticas não podem ser imediatos: "Uma casa não se constrói numa semana ou num mês. A avaliação destas políticas não pode ser feita apenas hoje ou na semana que vem".
Chega pede reformas mais rápidas e responsabilização do Governo: "É o dia da grande prestação de contas"
Pelo Chega, Patrícia Almeida considerou, na Antena 1, que o debate sobre o Estado da Nação deve servir para o Governo prestar contas das reformas prometidas. "Hoje será o dia da grande prestação de contas do Governo", afirmou, defendendo que, um ano depois da tomada de posse do Executivo, importa perceber quais foram as reformas estruturais que chegaram ao terreno.
"O Governo chegou com um grande rol de intenções para implementar rapidamente e a pergunta que se impõe hoje é quais são as reformas estruturais que, efetivamente, estão implementadas. Um ano após a tomada de posse deste Governo, a verdade é que 51% dos portugueses diz sentir estar pior do que estava no ano passado", afirmou, numa alusão à sondagem da Universidade Católica para a Antena 1, RTP e jornal Público.
No mesmo sentido, Patrícia Almeida refere que os portugueses "continuam a achar que o rumo que o país está a levar não é o correto" e apela ao Executivo da AD para que tenha em conta as principais dificuldades da população.
No caso do Chega, diz a deputada, a prioridade deve estar centrada em temas como os impostos e o custo de vida: "Esperávamos muito mais de um Governo que, por exemplo, logo no primeiro ano, anunciava um choque fiscal como nunca antes tinha sido visto. Agora podemos dizer que se trata de um choquezinho fiscal".
No programa Entre Políticos a deputada considerou ainda que a palavra que define o último ano de governação é "intransigência" e defendeu maior rapidez na resposta à crise da habitação, lembrando que Portugal continua a enfrentar um défice de centenas de milhares de casas.
PCP diz que país está pior: "Isto não é um país em desenvolvimento, é um país em retrocesso ", aponta Bernardino Soares
Na RTP Antena 1, Bernardino Soares, antigo líder parlamentar do PCP e membro do Comité Central, fez uma leitura muito crítica da situação económica e social do país e defendeu que a liderança da AD e de Luís Montenegro tem agravado a situação dos portugueses.
"Quanto mais o Governo governa, pior o país fica e pior fica a vida da maioria das pessoas", afirmou o dirigente comunista, que apontou os "baixos salários, a precariedade, o aumento do custo da alimentação, da energia e da habitação" como os principais problemas enfrentados pelos portugueses: "O cabaz alimentar aumentou 35% desde 2022. O custo da habitação duplicou em muitos concelhos e o Governo responde sempre com mais liberalização", criticou.
Bernardino Soares acusou ainda o Executivo de seguir um "programa ultraliberal", defendendo que a política do Governo conduz ao "desmantelamento dos serviços públicos" em áreas como a Saúde e a Educação.
"Isto não é um país em desenvolvimento, é um país em retrocesso por uma política que é profundamente neoliberal e que visa concentrar a riqueza, o que tem acontecido no nosso país, deixando a esmagadora maioria das pessoas sempre pior", insistiu.