Política
Entre Políticos
Flotilha. PS considera que reação do Governo foi "acertada" e condena ministro israelita: "Vergonha alheia"
O PS saúda a reação do Governo português à detenção de dois médicos portugueses pelas forças israelitas e condena o comportamento do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, após a divulgação de um vídeo em que os detidos surgiam amarrados e ajoelhados junto do governante enquanto ouviam o hino israelita.
Fotografias: Jorge Carmona
“Não há ninguém que possa assistir àquelas imagens sem sentir vergonha alheia e sem sentir que, de facto, o Estado de Israel tornou-se num Estado pária no contexto geopolítico, no contexto internacional”, afirmou o deputado socialista João Torres, no programa Entre Políticos, onde considerou que o Executivo “agiu de forma muito acertada” ao condenar as imagens divulgadas após a interceção da flotilha humanitária com destino a Gaza.
Na RTP Antena 1, o socialista defendeu que o Ministério dos Negócios Estrangeiros “não deixou margem para qualquer dúvida” na condenação da atuação israelita, sublinhando que estavam em causa imagens que “atentam contra a dignidade humana”.
A reação surge depois da detenção dos médicos e ativistas portugueses Gonçalo Dias e Beatriz Bartilotti, que integravam uma missão humanitária rumo à Faixa de Gaza e que devem regressar esta quinta-feira a Portugal.
Já Fabian Figueiredo, deputado do Bloco de Esquerda, considerou “positivo” que o Governo português tenha assumido uma posição “mais vocal” perante a atuação de Israel: “Os dois médicos foram ilegalmente sequestrados pelas forças israelitas e sujeitos a tratamentos ilegais à luz de qualquer lei internacional”, afirmou.
Descrevendo Gaza como “um teatro de horrores”, o deputado defendeu ainda um endurecimento da posição europeia face a Israel, incluindo a suspensão do acordo de associação entre a União Europeia e o Estado israelita - uma posição que é admitida também pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Do lado do PSD, a deputada Regina Bastos afirma que o Governo teve “uma atitude imediata” e fez “uma defesa imediata" dos cidadãos portugueses: “O Ministério dos Negócios Estrangeiros não deixou de ser vocal, de condenar devidamente a indignidade e a humilhação a que foram sujeitos os portugueses”, afirmou.
Ainda assim, Regina Bastos alerta para a necessidade de cautela política e diplomática, rejeitando o uso precipitado da palavra “genocídio” sobre a atuação das forças israelitas: "O genocídio não pode ser atribuído a algum Estado ou dirigente sem haver uma declaração judicial de um tribunal competente”, disse a antiga eurodeputada social-democrata.
Pela Iniciativa Liberal, o deputado Miguel Rangel considerou que há uma "violação de direitos humanos" por parte das forças de Israel que merece uma "condenação firme e inequívoca”.