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FMI apela a medidas "cuidadosamente calibradas" para lidar com impactos

FMI apela a medidas "cuidadosamente calibradas" para lidar com impactos

RTP /

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje para os impactos assimétricos da guerra no Médio Oriente pelo mundo, que passam pelos preços da energia, cadeias de fornecimento e condições financeiras, apelando aos países para adotarem medidas "cuidadosamente calibradas".

Numa publicação no `blog` da instituição, vários diretores do FMI alertam que o choque provocado pelo conflito no Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz é "global, mas assimétrico".

"Os importadores de energia estão mais expostos do que os exportadores, os países mais pobres mais do que os mais ricos, e aqueles com reservas escassas mais do que aqueles com reservas amplas", lê-se no texto.

Estes impactos surgem numa altura em que muitas economias têm margem limitada para absorver choques, sendo que muitos países já enfrentavam níveis recordes de endividamento, aumentando as preocupações com a sustentabilidade orçamental.

Assim, para gerir o choque e manter a resiliência, é "mais importante do que nunca que os países adotem políticas adequadas", apelam os responsáveis do FMI, apontando que as medidas têm de ser "cuidadosamente calibradas para as necessidades específicas de cada país".

"Os países com reservas limitadas e pouca margem de manobra orçamental devem ser especialmente cautelosos", avisam os economistas do organismo.

Os responsáveis do FMI admitem que a guerra possa moldar a economia global de diferentes maneiras, mas a maioria dos cenários leva a preços mais altos e crescimento mais lento.

"Um conflito curto pode fazer com que os preços do petróleo e do gás disparem antes que os mercados se ajustem, enquanto um conflito longo pode manter a energia cara e pressionar os países que dependem de importações", consideram os responsáveis, mas o mundo também pode "estabilizar num ponto intermédio com tensões persistentes, energia cara e inflação difícil de controlar".

Tudo depende de quanto tempo o conflito durar, de quão longe se espalhar e quanto dano infligir à infraestrutura e às cadeias de fornecimento.

Na Europa, países como a Itália e o Reino Unido estão especialmente expostos pela dependência das centrais a gás para a produção de eletricidade, enquanto França e Espanha estão "relativamente protegidas pela maior capacidade nuclear e de energias renováveis".

Já no que diz respeito aos mercados financeiros, na Europa e em muitas economias emergentes, "`yields` mais altos e spreads de crédito mais amplos aumentam os encargos do serviço da dívida e complicam o refinanciamento tanto para governos quanto para empresas".

Lusa
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