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Irão. Pelo menos 3.600 pessoas detidas sob acusações relacionadas com a guerra
De acordo com a organização Iran Human Rights (IHR), o número de detidos baseia-se em informações dos meios de comunicação estatais e em inquéritos próprios.
Representa também um mínimo, tendo em conta as atuais restrições à Internet no Irão, e o número real de detenções é "provavelmente muito maior".
Das 3.646 detenções registadas desde o início da guerra, a 28 de Fevereiro, desencadeada por um ataque israelo-americano ao Irão, pelo menos 767 ocorreram após o cessar-fogo ter entrado em vigor a 8 de Abril.
"As acusações contra os detidos dizem sobretudo respeito a espionagem, comunicação com serviços de informação estrangeiros, transmissão de imagens ou coordenadas de locais sensíveis para órgãos de imprensa estrangeiros, bem como tentativas de estabelecer células operacionais ou de se envolver em atividades armadas", afirmou a ONG, sediada na Noruega.
Indivíduos foram também detidos por utilizarem e distribuírem terminais de internet por satélite Starlink para contornar os bloqueios de internet ou por alegada colaboração com grupos monárquicos.
Mais de 100 ativistas da sociedade civil estão entre os detidos, segundo a IHR, incluindo a conceituada advogada e vencedora do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento do Parlamento Europeu, Nasrin Sotoudeh, que foi detida a 2 de abril.
A sua filha, Mehraveh Khandan, indicou no Instagram, no sábado, que a mãe ligou à família pela primeira vez desde a sua detenção, afirmando que estava a ser mantida sob custódia pelo Ministério dos Serviços de Informações.
Narges Mohammadi, vencedora do Prémio Nobel da Paz, permanece na prisão de Zanjan (norte do Sudão) após a sua detenção em Dezembro, antes da guerra.
Celebrou o seu 54º aniversário na terça-feira e, segundo a sua fundação, a sua saúde é considerada "grave" depois de ter sofrido um ataque cardíaco em março.