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Macron. "Atacar Chipre é atacar a Europa", França envia mais oito fragatas

Macron. "Atacar Chipre é atacar a Europa", França envia mais oito fragatas

RTP /

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou hoje que quando se ataca Chipre "ataca-se a Europa", tendo anunciado o envio de "oito fragatas" adicionais para a região, envolvida na guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Macron, num discurso em Chipre, que neste semestre exerce a presidência do Conselho da União Europeia (UE), ao lado do presidente cipriota e do primeiro-ministro grego, Nikos Christodoulides e Kyriakos Mitsotakis, respetivamente, frisou que a defesa da ilha mediterrânica é "uma questão essencial para o seu vizinho, parceiro e amigo, a Grécia, mas também para a França e, com ela, para a União Europeia".

"O primeiro objetivo desta viagem ao vosso lado é demonstrar plena solidariedade com Chipre, que na semana passada foi alvo de vários ataques com drones e mísseis. Quando Chipre é atacado, é a Europa que é atacada", declarou Macron.

O presidente francês recordou que os 27 do bloco europeu estão ligados por "alianças estratégicas" e que a presença de França em Chipre demonstra a solidez dessas alianças.

Nesse sentido, Macron especificou que a França está "a coordenar esforços, com Chipre, para garantir a segurança dos cidadãos e dos cidadãos europeus na região, apoiar operações de repatriamento e planear e consolidar qualquer operação de emergência que seja necessária".

Outro objetivo do destacamento militar francês, sublinhou Macron, é "tranquilizar todos os nossos parceiros".

Por isso, reiterou também o apoio da França aos Emirados Árabes Unidos, ao Qatar e ao Kuwait, com os quais mantém acordos de defesa, mas também à Jordânia, à Arábia Saudita e ao Iraque, que foram atacados no âmbito do conflito em curso e aos quais Paris tem prestado apoio.

No âmbito desse destacamento, Macron anunciou que vai enviar para a região "oito fragatas", uma mobilização que classificou como "sem precedentes", que se juntarão a outras duas anunciadas na semana passada.

"A presença francesa, que será destacada do Mediterrâneo Oriental até ao Mar Vermelho e (...) ao largo das costas do [estreito de] Ormuz, mobilizará oito fragatas, dois porta-helicópteros anfíbios e o nosso porta-aviões `Charles de Gaulle`", afirmou Macron a partir da cidade cipriota de Pafos.

Para Macron, o objetivo da França "é contribuir para a distensão, para a segurança dos cidadãos, para a segurança dos parceiros e para a liberdade de navegação e a segurança marítima".

Neste sentido, o chefe de Estado francês indicou que está "em curso" uma missão internacional de caráter "defensivo" para "abrir progressivamente" o estreito de Ormuz, por onde passa uma percentagem significativa do petróleo e do gás mundiais, bem como de outros produtos essenciais.

Christodoulides, por seu lado, destacou a importância da "solidariedade europeia" como resposta aos recentes ataques com drones iranianos contra a ilha mediterrânica e salientou que a ajuda militar de vários parceiros europeus "demonstra de forma clara o que significa, na prática, a solidariedade europeia".

"Com a sua ajuda decisiva, contribuem de forma determinante para a estabilidade e segurança do Mediterrâneo Oriental, enviando uma mensagem forte sobre as capacidades da Europa e o caminho que deve seguir", afirmou ainda.

O Presidente cipriota agradeceu o destacamento de caças F-16 gregos, da fragata francesa "Lafayette" e do sistema antiaéreo "Mistral", sublinhando que "a segurança de Chipre significa a segurança da Europa, significa responsabilidade coletiva".

Itália e Espanha anunciaram igualmente o envio de navios militares para Chipre para apoiar a segurança da ilha, um país neutral que pertence à UE, mas não à NATO.

"A Europa mantém-se unida, determinada a garantir a segurança dos seus Estados-membros e a trabalhar pela estabilidade e pela paz no Mediterrâneo Oriental", afirmou ainda o Presidente cipriota.

Por outro lado, Christodoulides foi categórico ao voltar a descartar qualquer envolvimento militar do seu país nos conflitos no Médio Oriente.

"Não nos envolvemos em operações militares. Mantemo-nos comprometidos com um papel humanitário, sempre como parte da solução e nunca como parte do problema", assegurou.

c/Lusa
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