O que se vai negociar em Islamabad em busca de um acordo decisivo de paz entre EUA e Teerão

O que se vai negociar em Islamabad em busca de um acordo decisivo de paz entre EUA e Teerão

RTP /

As negociações de paz marcadas para este sábado em Islamabad, entre EUA e Teerão, têm como temas centrais o fim duradouro da guerra e do bloqueio do estreito de Ormuz, o abandono do programa nuclear iraniano e a produção mísseis de longo alcance.

O apoio de Teerão a grupos armados no Médio Oriente - Hezbollah no Líbano, Huthis no Iémen e Hamas na Palestina - e as sanções económicas à República Islâmica estão também na agenda.

Teerão disse, sexta-feira, que devem ser cumpridas duas condições acordadas com os Estados Unidos: um cessar-fogo no Líbano e a libertação de ativos iranianos bloqueados.

"Estas duas matérias devem ser concretizadas antes de arrancarem as negociações", escreveu o lider da delegação iraniana, o presidente do Parlamento, Mohammed Bagher Qalibaf. A delegação integra também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.

Israel e Estados Unidos consideram que o Líbano não está abrangido pelo cessar-fogo em vigor, apesar de a mediação paquistanesa ter dito inicialmente o contrário.

Teerão diz que os ataques de Israel contra alvos no Líbano, são já violações da trégua que diz terem sido já cometidas.

Além de JD Vance, a delegação norte-americana é constituída pelos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump.

O  presidente norte-americano afirmou, esta sexta-feira, que as autoridades iranianas "não têm cartas" para as negociações entre as partes, exceto o bloqueio ao transporte marítimo de hidrocarbonetos no Estreito de Ormuz.

O levantamento do congelamento dos ativos iranianos sujeitos a sanções não tinha sido mencionado publicamente por Teerão como condição prévia para as negociações, embora esteja incluído na lista de dez exigências para um acordo de paz.

As negociações foram consguidas por intermédio do Paquistão, que obteve terça-feira, do presidente Trump, a anuência a duas semanas de cessar-fogo para se sentarem à mesa das negociações. 

Horas antes da chegada da delegação iraniana, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, qualificou as conversações como um momento "decisivo", mesmo que seja "difícil".

Num discurso transmitido pela televisão, o governante paquistanês agradeceu às duas partes por aceitarem a proposta de cessar-fogo e o convite a "negociar a paz" naquele país, o que é "motivo de orgulho não só para o Paquistão, como para todo o mundo muçulmano".
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