"Passei por um inferno", afirma a octogenária israelita libertada na segunda-feira pelo Hamas

"Passei por um inferno", afirma a octogenária israelita libertada na segunda-feira pelo Hamas

RTP /

Yocheved Lifschitz, de 85 anos, descreveu, em conferência de imprensa, esta manhã, a forma como foi raptada por combatentes do movimento radical palestiniano no kibbutz onde residia, a 7 de outubro. Afirmou ter sido levada para Gaza através de um portão e não deixou de sublinhar que as verbas investidas pelo Governo israelita na construção de muros e vedações acabaram por ser insuficientes para travar a ofensiva do Hamas.A traduzir as palavras da mãe, Sharone Lifschitz confirmou que a idosa foi transportada numa mota, tendo sofrido agressões. Foi ainda forçada a caminhar por alguns quilómetros sobre piso molhado.


"Deitaram-me numa mota, rebentaram com a vedação eletrónica que custou dois milhões de dólares a contruir, mas que não ajudou em nada. Fui levada como refém, não houve distinção entre novos e velhos. Foi muito doloroso. Eles bateram-me nas costelas, o que me dificultou a respiração. Chegámos a um túnel e então caminhámos quilómetros em terra molhada. Há um sistema gigante de túneis, como teias de aranha", relatou Yocheved Lifschitz.

Sharone disse que os captores da mãe lhe disseram, posteriormente, "acreditar no Corão", pelo que não lhe fariam mal. A idosa foi alimentada com queijo e pepino, os mesmos alimentos consumidos pelos guardas.

"A história não acaba até que toda a gente regresse", traduziu ainda a filha de Yocheved, referindo-se às duas centenas de reféns que permanecem em Gaza, número estimado pelas autoridades israelitas. Entre os quais o marido da octogenária.

Foto: Janis Laizans - Reuters
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