PR angolano defende abertura do Estreito de Ormuz

PR angolano defende abertura do Estreito de Ormuz

O Presidente angolano, João Lourenço, defendeu hoje a abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e apelou ao Papa para que continue a desempenhar um papel de construtor de pontes.

RTP /

O chefe de Estado angolano discursava hoje no salão protocolar da Presidência da República, após receber o Papa Leão XIV, que chegou hoje a Angola, terceiro país do périplo africano do líder da Igreja Católica.

Num encontro que reuniu membros do executivo e do corpo diplomático acreditado em Angola, líderes religiosos e políticos e elementos da sociedade civil, João Lourenço disse que só em paz e em harmonia é possível desfrutar de todos os recursos que a Natureza coloca ao dispor, lamentando "a corrida desenfreada às matérias-primas, aos recursos energéticos, aos recursos minerais e outros, tomados pela força das armas dos exércitos mais poderosos do mundo contra países soberanos".

"Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região", exortou o chefe do executivo angolano, pedindo ao Papa, face à probabilidade de agravamento do conflito, "para que, do alto da sua autoridade moral, continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de apaziguamento dos espíritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os Homens".

Para João Lourenço, "é urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas com reconhecida autoridade moral atuem conjuntamente para assegurar que, nas relações internacionais, a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força", instou.

Por outro lado, assinalou que "as empresas e os Estados, através de contratos e de acordos, podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfação das suas necessidades, sem que tenham de recorrer à guerra", alertando para o "momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes".

Destacou, nomeadamente, o Médio Oriente, berço do Cristianismo, do Islão e do Judaísmo, que devia ser uma zona de paz, de concórdia e de fraternidade, mas que, pelo contrário, é marcado pelo "sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de todos os países do Golfo Pérsico", levando esta região produtora e exportadora de petróleo e gás "a ruir como consequência das guerras que lhes impuseram".

(Lusa)
PUB