Bolívia investiga recrutamentos fraudulentos para o exército russo
O Ministério Público da Bolívia anunciou estar a investigar possíveis recrutamentos de homens pelo exército russo para combater na Ucrânia, através de falsas ofertas de emprego.
Nos últimos dias, vídeos divulgados nas redes sociais mostram bolivianos com uniforme militar russo destacados em zonas de conflito.
"Já está em curso uma investigação", declarou na terça-feira à imprensa o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca.
"O Ministério Público especializado em tráfico e contrabando de seres humanos está a trabalhar", disse, acrescentando que foram feitos pedidos de "cooperação internacional".
As diligências concentram-se, em particular, no caso de José Maria Soleto, de 29 anos.
Numa gravação, Soleto relatou a sua vida em cenário de guerra com o primo e duas outras pessoas aparentemente oriundas do Peru e da Colômbia, países que também investigam possíveis recrutamentos fraudulentos de nacionais.
"O nosso quotidiano é pura adrenalina", pode ouvir-se Soleto dizer no vídeo.
A esposa afirmou terça-feira que Soleto teria morrido. Vendedor de empanadas na Bolívia, teria deixado o país com a promessa de ganhar "16 mil dólares [14 mil euros]".
Em maio, a embaixada da Rússia no Peru reconheceu, em comunicado, que cidadãos peruanos tinham assinado contratos para integrar as forças armadas russas, mas garantiu que se tratava de compromissos voluntários.
O Serviço de Informações Externas da Ucrânia (SZR) revelou que Moscovo planeia aumentar o número de recrutas estrangeiros de 16.000 para 18.500, geralmente trazidos para a Rússia como migrantes laborais.
Segundo a agência, Moscovo não interrompeu esta prática apesar dos protestos de parceiros estrangeiros. Os candidatos são frequentemente atraídos por promessas de trabalho bem remunerado, mas ao chegar são informados de que assinaram pessoalmente um contrato com o Ministério da Defesa russo.
O SZR denunciou ainda que o serviço de migração russo e órgãos policiais recorrem a chantagem e intimidação contra migrantes laborais, na sua maioria oriundos da Ásia Central, para os forçar a assinar contratos. Em alguns casos, o incentivo oferecido é um caminho simplificado para a cidadania russa após um período de serviço militar.