Khamenei avisa que mortes de comandantes não vão travar "ideais da `jihad`"
O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, avisou hoje que os assassínios de comandantes militares iranianos "não podem deter os ideais da `jihad`", em reação à morte do chefe dos serviços de informações da Guarda Revolucionária.
"O inimigo, após sucessivas derrotas na guerra imposta à nação, aos bravos combatentes do Irão islâmico, e de acordo com os seus planos sinistros, recorreu mais uma vez à arma habitual do terrorismo sionista e ao assassínio de um dos comandantes dos serviços de informações do país", declarou Khamenei num comunicado divulgado pelos meios de comunicação social estatais.
Poucas horas após a confirmação da morte de Majid Khademi numa nova vaga de bombardeamentos, o líder supremo iraniano elogiou o seu percurso "após décadas de contribuições silenciosas nas áreas da segurança, informações e defesa" da República Islâmica.
"Mas as fileiras leais de combatentes e `mujahidin` no caminho da verdade e da justiça no Irão islâmico, e dos membros das forças armadas que sacrificaram as suas vidas, são agora tão longas e firmes que o terrorismo e o crime não podem travar os seus ideais de `jihad`", alertou Khamenei, que não é visto em público desde que foi escolhido para suceder ao pai.
O líder iraniano ficou ferido, segundo vários relatos em Teerão, no mesmo ataque que matou o seu pai e antecessor, Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva aérea lançada pelos Estados e Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
Desde a sua nomeação, uma semana mais tarde, todos os seus pronunciamentos públicos foram feitos por escrito.
A Guarda Revolucionária do Irão ameaçou pelo seu lado vingar a morte de Majid Khademi.
"O inimigo malévolo e desesperado deve saber que uma grande retaliação aguarda os organizadores e perpetradores deste crime", declarou a força ideológica do regime no seu `site`, Sepah News.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também se referiu à morte de Khademi, considerando-a "um sinal da arrogância" dos Estados Unidos e de Israel, que procuram "compensar a fraqueza no campo de batalha com assassínios cobardes".
"Esta conspiração cega de arrogância é sempre mais fútil e infrutífera, e golpes ainda mais duros esperam-nos", disse Ghalibaf, citado pela emissora estatal iraniana, IRIB.
Israel reclamou hoje que eliminou também Asghar Bakeri, o comandante de uma unidade especial da Força Quds, o braço da Guarda Revolucionária para operações no exterior.
As mortes dos dois oficiais da Guarda Revolucionária foram anunciadas no mesmo dia em que Israel atacou uma importante fábrica petroquímica no complexo de gás natural de South Pars.
O campo de gás partilhado com o Qatar é o maior do mundo e já tinha sido atacado durante este conflito por Israel, levando a uma retaliação do Irão contra instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo.
Após a vaga de bombardeamentos de hoje, o Irão enviou uma proposta a Washington, na qual rejeita um cessar-fogo temporário e exige um fim permanente para o conflito.
A proposta, transmitida através do Paquistão, consiste em 10 pontos, incluindo o fim das hostilidades na região, um protocolo para a passagem segura da navegação comercial pelo Estreito de Ormuz e o levantamento das sanções contra Teerão, segundo a agência oficial iraniana IRNA.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou por sua vez como um "passo muito significativo" a proposta de cessar-fogo de 45 dias no Irão apresentada por países mediadores, embora insista que ainda é insuficiente.
"Ainda não é suficiente, mas é um passo muito significativo", afirmou Trump durante uma conferência de imprensa à margem de uma cerimónia de Páscoa na Casa Branca, em Washington.
Horas antes, a presidência norte-americana tinha confirmado que mediadores internacionais propuseram uma trégua temporária no conflito com o Irão, mas salientou que o Presidente dos Estados Unidos não endossou formalmente a iniciativa.
Segundo o jornal digital norte-americano Axios, a proposta foi apresentada por mediadores do Paquistão, Egito e Turquia e prevê uma pausa de 45 dias nas hostilidades para permitir negociações diplomáticas.
Depois de ter dado ultimatos com prazos diversos a Teerão e sob pressão interna devido à escalada de preços dos combustíveis, bem como incompreensão sobre os objetivos da guerra, Trump avisou o Irão que, se não for alcançado um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, as suas forças militares farão o país "regredir à Idade da Pedra".