ONU alerta que conflito está a intensificar-se e avizinha-se escalada
A ONU alertou hoje que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia está a intensificar-se e que se avizinha uma escalada ainda maior, apelando às partes para que retomem o caminho da diplomacia.
De acordo com a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, a "Ucrânia continua a melhorar a sua capacidade de prejudicar os esforços logísticos da Rússia, enquanto as forças russas exploram a sua considerável capacidade de lançar ataques com mísseis e drones de longo alcance em todo o território ucraniano".
"Não há sinais de que [o conflito] vá diminuir", frisou DiCarlo numa reunião do Conselho de Segurança da ONU convocada a pedido da Ucrânia.
A representante das Nações Unidas sublinhou que a guerra na Ucrânia está atualmente mais mortífera do que em qualquer outro momento desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
"Cada ano subsequente da guerra registou mais civis mortos do que o anterior. Entretanto, em toda a região, crescem as preocupações com o risco de uma escalada ainda maior. De forma alarmante, os últimos meses testemunharam alguns dos ataques aéreos mais extensos da guerra", recordou, fazendo referência ao ataque lançado por Moscovo no início do mês e que foi um dos maiores bombardeamentos com mísseis e drones registados na Ucrânia, destruindo casas, instalações médicas, infraestruturas energéticas e outros bens civis essenciais.
Embora o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) ainda esteja a verificar os dados, os números preliminares indicam que as baixas civis em maio passado ultrapassaram as registadas em abril, avançou hoje DiCarlo.
Desde o início da invasão em grande escala, a ONU confirmou a morte de 15.850 civis, incluindo 791 crianças, na Ucrânia. Outros 44.809,incluindo 2.752 crianças, ficaram feridos.
"Os números reais são provavelmente significativamente mais elevados", sublinhou a organização.
Ao saudar a recente troca de prisioneiros de guerra entre Kiev e Moscovo na semana passada, Rosemary DiCarlo instou hoje a que sejam tomadas medidas adicionais para o regresso imediato de todas as crianças ucranianas deportadas e transferidas à força pela Rússia.
No entanto, a subsecretária-geral frisou que a guerra está agora numa "fase perigosa e avizinha-se uma escalada ainda maior".
"As partes devem retomar o caminho da diplomacia. Ainda não é tarde para retomar o diálogo e as negociações de boa-fé. A segurança e a estabilidade a longo prazo da Europa dependem de esforços diplomáticos concertados e inclusivos para pôr fim a esta guerra", insistiu, defendendo um cessar-fogo imediato, pleno e incondicional.
Na mesma reunião, o representante do gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Indrika Ratwatte, indicou que, entre a passada sexta-feira e as primeiras horas de hoje, pelo menos 30 civis foram mortos e mais de 200 ficaram feridos em toda a Ucrânia, incluindo crianças.
Ratwatte destacou que a escala e a intensidade dos ataques aos grandes centros estão a aumentar, levando a guerra ainda mais para as zonas urbanas populosas.
Ainda de acordo com Ratwatte, a Ucrânia continua a ser uma das maiores crises humanitárias do mundo, com 10,8 milhões de pessoas a necessitarem de assistência humanitária.
"No entanto, recebemos menos de metade do financiamento necessário para as alcançar", lamentou, pedindo o financiamento necessário para que as organizações humanitárias se mantenham presentes onde as necessidades são maiores.