Rússia acusa países que fornecem armas a Kiev de cumplicidade por ataque em Lugansk

Rússia acusa países que fornecem armas a Kiev de cumplicidade por ataque em Lugansk

O embaixador russo na ONU acusou hoje os países que fornecem armas a Kiev de "cumplicidade" no ataque registado na região ocupada de Lugansk, atribuído por Moscovo à Ucrânia.

Lusa /

"Vários países presentes nesta mesa são os principais fornecedores de armas ao regime de [do Presidente ucraniano, Volodymyr] Zelensky e não fazem segredo do seu direito de o fazer. Devem estar cientes de que, ao fazerem isso, estão a justificar e a ser cúmplices de atos terroristas como o cometido ontem [quinta-feira] à noite", afirmou Vasily Nebenzya.

"E a responsabilização por estas decisões e crimes será inevitável", acrescentou, numa reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada de emergência pela Rússia para abordar o ataque em Lugansk que causou pelo menos seis mortos e pelo menos 15 desaparecidos.

De acordo com Nebenzya, mais de 40 crianças ficaram feridas, num incidente que classificou como "ataque terrorista monstruoso" perpetrado pelo regime de Kiev "contra cidadãos russos pacíficos".

O embaixador russo afirmou ainda que o ataque "não poderia ter sido acidental".

"Foi claramente realizado com o objetivo de causar o maior número possível de vítimas. De acordo com o direito internacional humanitário, isso constitui um crime de guerra", acusou.

Já a ONU destacou que, por não ter acesso à área ocupada, "não consegue confirmar os detalhes do ataque relatado".

O ataque, de alegada autoria ucraniana, atingiu uma residência de estudantes na região de Lugansk, controlada por Moscovo, indicou hoje o Presidente russo, Vladimir Putin.

"Atualmente, sabemos de seis mortos e 15 desaparecidos", disse o líder do Kremlin durante uma reunião transmitida pela televisão, classificando o ataque no leste da Ucrânia ocupada como um ato terrorista.

As forças de Kiev atacaram a residência de estudantes do Colégio Pedagógico de Starobilsk "à noite, enquanto os estudantes dormiam", relatou Putin, indicando que o Ministério da Defesa vai preparar uma resposta ao ataque, que deixou também cerca de 40 feridos.

O Presidente russo afirmou que não existem instalações militares perto da residência.

"Ninguém pode dizer que estavam a tentar atingir outro alvo, mas os drones abatidos atingiram o edifício [da residência]", declarou.

Segundo as autoridades pró-russas em Lugansk, 86 jovens entre os 14 e os 18 anos estavam no interior da residência no momento do ataque.

As equipas de resgate continuavam a trabalhar no local para remover os escombros e resgatar sobreviventes.

Por sua vez, as forças ucranianas negaram ter visado instalações civis.

O Estado-Maior ucraniano declarou que as suas forças bombardearam um "quartel-general" de uma unidade militar russa na região da cidade de Starobilsk, no leste da Ucrânia ocupada.

"A Ucrânia realiza ataques contra infraestruturas militares e instalações utilizadas para fins militares, em estrita conformidade com as normas do direito internacional humanitário", acrescentaram as forças de Kiev numa mensagem publicada nas redes sociais.

Na reunião de hoje do Conselho de Segurança, o embaixador ucraniano na ONU, Melnyk Andrii, refutou "categoricamente todas as acusações falsas referentes a este incidente" e afirmou tratar-se de "puro teatro de propaganda" russa.

"As nossas Forças Armadas tomam todas as precauções para minimizar os danos colaterais, ao contrário das forças da Rússia. As operações na noite de 22 de maio visaram exclusivamente a máquina de guerra russa", disse, acrescentando que o Exército russo tem utilizado instalações civis como unidades de operações militares.

Na mesma reunião, alguns aliados de Kiev mencionaram informações incompletas em relação ao ataque devido à recusa de acesso russo a essas áreas ocupadas, destacando também a responsabilidade de Moscovo pelo lançamento da invasão da Ucrânia em 2022.

"Se usássemos a mesma lógica que motivou o pedido russo para a reunião de hoje, teríamos duas reuniões de emergência por dia, inclusive nos fins de semana, e isso só ajudaria a abordar superficialmente o terror, a morte e a destruição infligidos pela Rússia à Ucrânia", observou a embaixadora dinamarquesa, Christina Markus Lassen.

Tópicos
PUB