EM DIRETO
Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito no Médio Oriente

Rússia confirma retoma dos ataques após tréguas da Páscoa Ortodoxa

Rússia confirma retoma dos ataques após tréguas da Páscoa Ortodoxa

A Rússia confirmou hoje que retomou os ataques contra território ucraniano após o fim das tréguas humanitárias decretadas pelo Presidente russo, Vladimir Putin, durante a Páscoa Ortodoxa.

Lusa /
Chingis Kondarov - Reuters

"A Rússia pretende alcançar a paz na Ucrânia através de negociações, mas até ao momento isso não foi possível e a operação militar especial continua", afirmou o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, citado pela agência de notícias russa TASS.

Operação militar especial é a expressão usada por Moscovo para designar a guerra que iniciou em fevereiro de 2022, quando invadiu o país vizinho.

Peskov disse que "qualquer ação que alimente as aspirações militaristas do regime de Kiev não contribui para a procura de uma solução pacífica" e voltou a criticar a atitude da Europa.

"Os europeus não escondem a sua postura geral de querer continuar com esta guerra", afirmou, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

A Rússia e a Ucrânia trocaram acusações de violações do cessar-fogo, que esteve em vigor entre as 16:00 de sábado e a meia-noite de domingo, hora de Moscovo.

O Ministério da Defesa russo cifrou em 6.558 as violações do cessar-fogo por parte do exército da Ucrânia durante as tréguas.

"As forças armadas ucranianas continuaram a lançar ataques com drones e artilharia contra as nossas posições militares, bem como contra alvos civis nas zonas fronteiriças das regiões de Belgorod e Kursk", afirmou.

O Estado-Maior do exército ucraniano denunciou a ocorrência de 10.721 violações da parte das forças russas "desde a declaração do cessar-fogo".

Peskov já tinha anunciado no domingo que a Rússia retomaria os ataques contra a Ucrânia após o fim das tréguas da Páscoa.

Já hoje, o governador pró-russo da região de Zaporijia, Yevhen Balitski, anunciou que um ataque ucraniano causou um morto e cinco feridos naquela região do sul da Ucrânia ocupada pelas tropas russas.

Balitski disse num comunicado que as forças ucranianas atacaram nove localidades da região de Zaporijia, incluindo zonas civis, nas últimas 24 horas.

"A vítima mortal é um homem que se deslocava de bicicleta no momento do ataque contra a localidade de Verkhnia Krynytsya, no distrito de Vasylivka", precisou.

Balitski disse ainda que uma pessoa ficou ferida no mesmo ataque e que se registaram dois feridos no distrito de Mykhailivka, um no distrito de Tokmak e outro no de Polohy.

A Rússia anexou em setembro de 2022 as províncias de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, parcialmente ocupadas no âmbito da invasão, e conseguiu penetrar também em Kharkiv, Sumy e Dnipropetrovsk.

Moscovo já tinha anexado em 2014 a península ucraniana da Crimeia.

As negociações para encontrar uma solução para o conflito continuam em pausa desde meados de fevereiro, quando se realizou a última ronda trilateral, na cidade suíça de Genebra, com a participação dos Estados Unidos.

A Rússia exige a retirada das tropas ucranianas das regiões que declarou como anexadas, bem como o reconhecimento da soberania russa nos quatro territórios em causa e na Crimeia.

Exige também, entre outras questões, uma redução dos efetivos das forças armadas ucranianas e garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da NATO.

Kiev rejeita tais pretensões e exige a retirada das tropas russas da Ucrânia, incluindo a Crimeia, e a reposição das fronteiras de 1991, quando se tornou independente da União Soviética, bem como garantias de segurança em relação à Rússia.

A guerra desencadeada pela invasão russa da Ucrânia causou centenas de milhares de vítimas civis e militares, e mergulhou a Europa na pior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Tópicos
PUB