Ucrânia. Conselho da UE espera aprovar empréstimo de 90 mil milhões de euros na quarta-feira
A presidência rotativa do Conselho da União Europeia (UE) espera dar aval, na quarta-feira, ao último passo para concretizar o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, que tem estado a ser bloqueado pela Hungria.
Uma fonte oficial da presidência cipriota do Conselho da UE (em vigor durante este primeiro semestre) indicou que, na sequência das alterações políticas na Hungria, Chipre decidiu incluir na agenda dos embaixadores junto da União Europeia (UE) uma votação sobre uma alteração necessária ao Quadro Financeiro Plurianual para que a Comissão Europeia possa usar o orçamento comunitário como garantia da dívida comum a favor da Ucrânia.
Este é o último elemento necessário para permitir o desembolso do empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, já que os restantes procedimentos já avançaram, acrescentou a mesma fonte.
Uma vez aprovado pelos embaixadores dos 27 Estados-membros junto da UE, será lançado um procedimento escrito para adoção final.
Tal aval será agora possível depois de uma reviravolta histórica na política da Hungria que marca o fim de 16 anos consecutivos de governo ultranacionalista conservador de Viktor Orbán (do partido Fidesz) e a ascensão do partido de centro-direita Tisza, liderado por Péter Magyar, que será o novo primeiro-ministro húngaro após vencer as eleições legislativas do passado dia 12 de abril.
No início deste mês, a Comissão Europeia anunciou ter adotado medidas preparatórias para a futura aplicação de um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.
O calendário inicial e os primeiros desembolsos no âmbito do empréstimo têm vindo a estar bloqueados devido ao veto da Hungria.
Este crédito de 90 mil milhões de euros foi condicionado pelo ultranacionalista Viktor Orbán devido a uma disputa paralela sobre o trânsito de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, exigindo a reposição dos fluxos energéticos antes de levantar a objeção.
O candidato vencedor das eleições legislativas da Hungria, Péter Magyar, já veio porém garantir que daria aval ao empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.
Orbán disse que também o faria caso o oleoduto voltasse a funcionar entretanto.
Fortemente dependente do petróleo russo, a Hungria acusou a Ucrânia de atrasar as reparações do oleoduto.
Herança da era soviética, o oleoduto Druzhba ("Amizade", em russo) abastece de petróleo a Hungria e a Eslováquia, dois países sem litoral e antigos membros do Pacto de Varsóvia (a Eslováquia então integrada na Checoslováquia, juntamente com a atual República Checa).
Na semana passada, durante uma visita a Berlim, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, prometeu que o oleoduto Druzhba será reparado até ao final de abril.
Uma parte do oleoduto, que atravessa o oeste da Ucrânia, foi danificada em janeiro por um ataque aéreo de Moscovo.
Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, a União Europeia e os seus Estados-membros já mobilizaram cerca de 195 mil milhões de euros em apoio a Kiev, entre assistência macrofinanceira, ajuda militar e apoio à reconstrução, incluindo 3,7 mil milhões de euros provenientes dos lucros de ativos russos imobilizados.