UE Cimeira. Líderes aprovam conclusões sobre Ucrânia por unanimidade pela primeira vez em 18 meses

UE Cimeira. Líderes aprovam conclusões sobre Ucrânia por unanimidade pela primeira vez em 18 meses

Os líderes UE aprovaram hoje pela primeira vez em mais de um ano conclusões sobre a Ucrânia por unanimidade, nas quais dizem estar preparados para "intensificar o empenho" em "esforços diplomáticos" para acabar com a guerra.

Lusa /
Yves Herman - Reuters

"Hoje, os 27 líderes estão todos juntos, unidos e empenhados em apoiar a Ucrânia", escreveu o presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa publicação nas redes sociais, pouco antes de os líderes da União Europeia (UE) terem terminado o ponto da cimeira europeia sobre a Ucrânia, que contou com a participação presencial de Volodymyr Zelensky.

Uma porta-voz de António Costa indicou que as conclusões foram aprovadas por unanimidade, tendo os líderes igualmente decidido renovar sanções setoriais à Rússia por mais 12 meses.

A última vez que uma cimeira do Conselho Europeu tinha aprovado por unanimidade conclusões sobre a Ucrânia tinha sido em dezembro de 2024. Desde então, todas as conclusões só tinham recebido o apoio de 26 Estados-membros - a Hungria, na altura liderada por Viktor Orbán, tinha-se sempre oposto.

Nas conclusões hoje adotadas, que receberam a `luz verde` do novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, os líderes da UE dizem apoiar os "esforços diplomáticos para pôr fim à guerra na Ucrânia" e manifestam-se disponíveis para "intensificar o seu empenho" nesse processo.

"A Europa tem um papel fundamental a desempenhar numa futura resolução do conflito e está pronta para defender os seus interesses", declaram.

Os chefes de Estado e de Governo instam ainda a Rússia a "demonstrar uma vontade genuína de paz, a aceitar um cessar-fogo total, incondicional e imediato e a empenhar-se em negociações construtivas com vista a uma paz justa e duradoura".

Depois de a Rússia ter atacado, esta segunda-feira, a Catedral da Dormição, um monumento histórico em Kiev, os líderes da UE "condenam veementemente a recente e grave escalada por parte da Rússia" e criticam "o comportamento cada vez mais agressivo, imprudente e irresponsável para com Estados-membros da UE", designadamente o recente incidente com um `drone` russo na Roménia.

"O Conselho Europeu reafirma o seu compromisso inabalável com a segurança de todos os Estados-membros", afirmam.

No que se refere à imposição de sanções, os líderes da UE afirmam "continuar determinados a aumentar ainda mais a pressão sobre a Rússia e a continuar a enfraquecer a economia de guerra russa, para que esta ponha fim à sua brutal guerra de agressão e encete negociações com vista à paz".

"O Conselho Europeu reitera a importância de reduzir ainda mais as receitas energéticas da Rússia, de travar as operações da sua frota paralela e de restringir ainda mais o seu sistema bancário", afirmam, apelando à "rápida adoção" do 21.º pacote de sanções contra a Rússia, atualmente em discussão.

Uma das medidas propostas nesse pacote é a proibição de entrada em solo europeu de qualquer combatente russo que tenha participado na guerra na Ucrânia, com os líderes europeus a concordarem que ex-combatentes russos podem representar uma "potencial ameaça, incluindo no longo prazo, para a segurança interna da UE".

Nesse contexto, "o Conselho Europeu incentiva a prossecução dos trabalhos técnicos para avaliar possíveis formas de abordar esta questão, sem prejuízo das competências dos Estados-membros neste domínio".

Os líderes saúdam ainda a abertura, esta segunda-feira, dos primeiros capítulos das negociações de adesão da Ucrânia à UE, relativos aos valores e direitos fundamentais, "e aguarda com expectativa a abertura dos restantes capítulos o mais rapidamente possível".

Os líderes da UE estão hoje e sexta-feira reunidos em Bruxelas para debater o apoio à Ucrânia, numa fase de avanço do alargamento do bloco, e tentar aproximar posições sobre o próximo orçamento europeu de longo prazo.

 

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