Zelensky diz que ataque à Catedral é "um dos crimes mais graves"

Zelensky diz que ataque à Catedral é "um dos crimes mais graves"

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou esta segunda-feira que o ataque à Catedral da Dormição em Kiev constitui "um dos crimes mais graves cometidos pela Rússia contra a cultura cristã até à data".

RTP /
Serviços de Emergência da Ucrânia via Reuters

O Presidente ucraniano denunciou hoje o ataque lançado pelo exército russo contra a capital ucraniana, Kiev, e outros locais do país, entre os quais a Catedral da Dormição, localizada no Mosteiro das Grutas de Kiev (Kyiv Pechersk Lavra), que sofreu um incêndio em consequência do ataque.

"É uma igreja cuja história remonta ao século XI", recordou, acrescentando que as equipas do Serviço de Emergência do Estado conseguiram extinguir as chamas no telhado do complexo.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sibiga, realçou que o Presidente russo, Vladimir Putin, "gravou para sempre o seu nome na lista dos piores bárbaros da história" com o ataque ao Mosteiro das Grutas de Kiev (Kyiv Pechersk Lavra), "um dos locais mais sagrados da cristandade".

 

"Ele deveria ser amaldiçoado durante séculos e vai perder esta guerra", comentou.

O ataque russo, que devastou a igreja ortodoxa icónica do século XI em Kiev e Património Mundial da UNESCO, causou 11 mortos.

O Metropolita Epifânio de Kiev, chefe da Igreja Ortodoxa Ucraniana, denunciou o ataque como um "crime contra a humanidade, a história e o cristianismo".

Uma das fachadas da catedral ficou danificada, o telhado parcialmente destruído e mais de uma dezena de camiões de bombeiros foram enviados para o local.

A Catedral da Dormição, em Kiev, já tinha sofrido danos ligeiros em duas ocasiões devido a ataques russos, segundo informações da própria cidade.

O Mosteiro das Grutas de Kiev, com as suas icónicas cúpulas douradas, tem estado no centro de um conflito religioso nos últimos anos, na sequência da expulsão dos seus monges, acusados de ligações a Moscovo, o que estes negam.

O Ministério russo da Defesa, por sua vez, negou ter como alvo a catedral, que também tem grande importância religiosa para a Rússia, e afirmou que esta foi atingida por um míssil Patriot de fabrico norte-americano, disparado pelo sistema de defesa aérea ucraniano.Além da catedral, os ataques aéreos russos durante a noite atingiram o histórico Estúdio de Cinema Dovzhenko, em Kiev, o Museu de Belas Artes de Kharkiv e a Casa da Música, em Dnipro, realçou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga.

"O complexo da Catedral das Grutas de Kiev (onde se situa a catedral incendiada) foi atingido por um míssil do sistema Patriot norte-americano. Uma das razões para a falha do sistema pode ser o facto de os países ocidentais terem fornecido ao regime de Kiev mísseis cuja vida útil já expirou", declarou o Ministério da Defesa da Rússia em comunicado.

"Este ataque contra a Lavra é um ataque contra a comunidade cristã e contra o património cultural da humanidade. Nada pode justificar este ato", acrescentou Zelensky na rede social X.
Mais de 60 míssies contra Kiev

Zelensky indicou também numa mensagem publicada nas redes sociais que "os russos lançaram mais de 60 mísseis contra a capital", de um total de 70 lançados contra o território ucraniano, que causaram quatro mortos em Kiev e outros cinco em Kharkiv.

"Os meus sentimentos às famílias e entes queridos", declarou numa mensagem publicada nas redes sociais.

 

O Presidente ucraniano denunciou ainda que "os russos realizaram um ataque múltiplo contra equipas de resgate em Kharkiv enquanto estas combatiam um incêndio provocado por um bombardeamento anterior a uma instalação industrial", incidente que resultou em mais cinco mortos e nove feridos.

"Em Dnipro, a Rússia atacou as instalações de uma estação ferroviária, uma universidade e várias empresas", acrescentou.

"É assim que a Rússia demonstra ao mundo a sua intenção de continuar a guerra. É crucial que os países do G7, reunidos para a sua cimeira, respondam com força e decisão: aumentando a pressão sobre o agressor e reforçando o apoio à defesa aérea da Ucrânia, especialmente as suas capacidades antimíssil balístico", concluiu Zelensky.

c/agências

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