Zelensky pede aos aliados decisões firmes na cimeira da NATO

Zelensky pede aos aliados decisões firmes na cimeira da NATO

O presidente ucraniano pediu esta segunda-feira aos aliados que tomem "decisões firmes" na cimeira da NATO, marcada para terça e quarta-feira em Ancara, após os ataques aéreos russos na região de Kiev que mataram pelo menos 14 pessoas.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Gleb Garanich - Reuters

"É crucial que o mundo - em primeiro lugar os Estados Unidos e os nossos parceiros europeus - saia da cimeira da NATO em Ancara [na Turquia] com decisões firmes a favor da nossa defesa aérea e, consequentemente, da proteção da vida das pessoas comuns", afirmou Volodymyr Zelensky no X.

"Enquanto os mísseis Patriot permanecerem nos arsenais dos nossos aliados, a Rússia estará apenas encorajada a continuar a destruir edifícios residenciais. Os Estados Unidos e a Europa têm força suficiente para travar este terror", realçou Zelensky.
c Segundo o presidente ucraniano, entre a noite de domingo e esta segunda-feira, Kiev sofreu um ataque maciço da Rússia, que lançou 68 mísseis e 351 drones.

"As operações de resposta ainda estão em curso. Foram registados danos em mais de 10 locais da cidade, incluindo edifícios residenciais. Todos os serviços necessários estão no local, fazendo todo o possível para resgatar pessoas e prestar assistência a todos os que dela necessitam", declarou.
"Os nossos guerreiros tiveram hoje um bom desempenho na interceção de drones e mísseis de cruzeiro, mas infelizmente não de mísseis balísticos russos. E a razão reside no fornecimento insuficiente de mísseis intercetores", afirmou.

O apelo de Zelensky foi secundado pela presidente da Comissão Europeia.
Ursula von der Leyen escreveu na rede social X que os novos bombardeamentos russos em Kiev mostram que a Ucrânia tem uma "necessidade urgente" de defesa aérea.

Na noite passada, o regime russo voltou a atacar civis indiscriminadamente por via aérea, com mais de 400 drones e mísseis a atingirem a capital. A Ucrânia precisa urgentemente de mais defesa aérea. Vamos discutir isso esta semana em Ancara, na Cimeira da NATO", escreveu von der Leyen no X.

"Continuaremos a aumentar a pressão até que a Rússia cesse o derramamento de sangue", acrescentou.

Os líderes da NATO vão reunir-se em Ancara para uma cimeira na terça e quarta-feira, no meio da pressão do presidente Donald Trump para que a Europa aumente as despesas com a defesa e após meses de atritos transatlânticos sobre a guerra com o Irão e a Gronelândia.


Os líderes dos 32 países membros da NATO, incluindo Trump, participarão na cimeira.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverão participar num jantar com os líderes da NATO na noite de terça-feira.Segundo a Reuters, “espera-se que os membros da NATO reafirmem o apoio à Ucrânia e prometam mais assistência”.

"Para 2026, os Aliados prometem 70 mil milhões de euros em equipamento militar, assistência e treino para a Ucrânia e reafirmam os seus compromissos soberanos de manter níveis pelo menos equivalentes em 2027", deverão declarar os líderes.

Parte do financiamento será proveniente de promessas bilaterais existentes e de uma linha de crédito da União Europeia que disponibiliza 60 mil milhões de euros para investimentos e aquisições de defesa da Ucrânia para 2026-2027. Não se espera que os Estados Unidos contribuam com financiamento. Kiev e Moscovo trocam ataques
Na última noite, a Rússia e a Ucrânia voltaram a trocar ataques. Em Kiev, onze pessoas morreram e vários edifícios ficaram destruídos, após ataques das forças russas. Já Moscovo avança que abateu mais de 500 drones ucranianos e que uma pessoa morreu na Crimeia.

Mísseis e drones russos atingiram Kiev na madrugada desta segunda-feira, matando pelo menos 11 pessoas e causando grandes danos em edifícios residenciais, disseram as autoridades, num ataque poucos dias depois do mais mortífero à capital ucraniana este ano.


As equipas de resgate retiravam os moradores de edifícios destruídos pelo bombardeamento da noite anterior, disse o presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, numa publicação no Telegram.

Klitschko afirmou que o número de mortos na capital subiu para 11, com 46 feridos em toda a cidade.

A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia utilizou 68 mísseis, incluindo 23 balísticos e seis supersónicos e hipersónicos, além de 351 drones no ataque. As unidades da Força Aérea abateram ou neutralizaram 37 mísseis e 326 drones, mas nenhum dos mísseis balísticos ou supersónicos e hipersónicos, segundo dados da Força Aérea.

Pelo menos 15 edifícios residenciais foram danificados ou destruídos no ataque, incluindo um bloco de nove andares no histórico bairro de Podilskyi, que foi praticamente destruído a partir do quinto andar, disseram os serviços de emergência.

As autoridades disseram que quatro edifícios residenciais foram atingidos só no bairro de Podilskyi. Este bairro, juntamente com o bairro de Darnytskyi, na zona oriental, estiveram no epicentro dos ataques, informou a Procuradoria-Geral. Foram também registados danos em outros dois bairros da cidade.

No bairro de Podilskyi, as equipas de resgate vasculhavam os escombros enquanto o fumo subia de um prédio de apartamentos com um enorme buraco nos andares superiores, mostraram imagens da Reuters.

Além da capital ucraniana, também o porto de Odessa, no sul do Mar Negro, também foi atacado, com pelo menos uma pessoa ferida.

O Ministério russo da Defesa confirmou que realizou um ataque "massivo" contra a capital da Ucrânia e outros locais com armas de longo alcance e de alta precisão lançadas do ar, da terra e do mar, bem como drones.As forças russas atacaram aeródromos militares "nas regiões de Dnipropetrovsk, Poltava, Cherkasy, Chernihiv e Kiev", entre outros alvos.

A Polónia, vizinha da Ucrânia e membro da NATO e da União Europeia, enviou brevemente caças como medida preventiva. Rússia anuncia ter abatido mais de 500 drones ucranianosA Rússia anunciou ter abatido 519 drones ucranianos durante a madrugada de domingo para segunda-feira sobre cerca de 20 regiões russas e a península anexada da Crimeia, resultando numa morte.

"Durante a noite, os sistemas de defesa aérea intercetaram e destruíram 519 drones ucranianos", afirmou o Ministério russo da Defesa em comunicado.

Os ataques ucranianos tiveram como alvo a região de Moscovo, onde foram destruídos 11 drones que se dirigiam para a capital russa, e a região de Leninegrado (noroeste), onde foram abatidos 56 drones, segundo as autoridades locais.Os drones ucranianos foram também abatidos sobre a Península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Uma mulher, residente em Kerch, foi morta "em consequência deste ataque inimigo", afirmou o governador da Crimeia, Sergei Aksyonov, no Telegram, acrescentando que outras duas pessoas ficaram feridas.

Na mesma região, Sebastopol, na costa do Mar Negro, está sem eletricidade "devido a um ataque ucraniano" às infraestruturas energéticas próximas da cidade, segundo o governador nomeado por Moscovo, Mikhail Razvozhayev.

Na região de Yaroslavl (300 quilómetros a nordeste de Moscovo), duas pessoas ficaram também feridas num "ataque maciço" de drones ucranianos, no qual foram abatidos mais de 70, segundo o governador regional Mikhail Yevrayev.

Vladislav Shapsha, governador da região de Kaluga, a cerca de 190 quilómetros a sul de Moscovo, disse que os drones atingiram uma zona industrial no distrito de Dzerzhinsky, provocando um incêndio.

Os drones ucranianos danificaram também os portos de Vysotsk e Ust-Luga, no Mar Báltico, um importante ponto de exportação de petróleo.

Ust-Luga é um dos maiores portos de exportação de petróleo e outros produtos da Rússia. A Ucrânia já tinha atacado este porto, bem como outros alvos energéticos russos, numa tentativa de minar os esforços de guerra de Moscovo.

As exportações dos portos de Primorsk e Ust-Luga, no Mar Báltico, juntamente com o porto de Novorossiysk, no Mar Negro, atingiram quase o recorde de 3 milhões de barris por dia em Junho, segundo fontes.

A onda de ataques ucranianos a refinarias de petróleo na Rússia levou à escassez de combustível, ao aumento dos preços e a longas filas de espera nos postos de abastecimento de combustível.

c/Agências
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