Zelensky pede que Europa tenha palavra a dizer nas conversações de paz

Zelensky pede que Europa tenha palavra a dizer nas conversações de paz

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que, para pôr fim à invasão lançada pela Rússia, "a Europa precisa" de ter uma voz própria em quaisquer negociações de paz.

Lusa /

"A Europa precisa, sem dúvida, da sua própria voz, da sua própria posição e da sua própria contribuição para todos os esforços diplomáticos que possam ajudar a pôr fim à guerra", enfatizou Zelensky.

De acordo com um comunicado da Presidência da Ucrânia, o chefe de Estado falava durante um telefonema com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, na quarta-feira.

Os líderes discutiram, segundo Kiev, a "diplomacia conjunta com a Europa" para interromper e pôr fim à guerra, bem como os preparativos para negociações e reuniões focadas no fornecimento de armas para a defesa da Ucrânia.

O Presidente ucraniano agradeceu ainda a Starmer o mais recente pacote de sanções anunciado por Londres para limitar as transações com criptomoedas russas.

"Agradeço ao Reino Unido o seu apoio", disse Zelensky, que, no entanto, sublinhou que "é absolutamente essencial que todas as formas de pressão sobre o agressor sejam ainda mais reforçadas".

A União Europeia (UE) iniciou na quarta-feira os preparativos para abrir a primeira ronda de negociações formais de adesão da Ucrânia ao bloco, após a Hungria ter retirado o seu veto, anunciou a Presidência cipriota.

Os Estados-membros deram também luz verde para o início das conversações com a a Moldova, outro país candidato à adesão, numa reunião dos Representantes Permanentes da UE realizada em Bruxelas, adiantou a mesma fonte.

O primeiro-ministro húngaro, Peter Magyar, anunciou na quarta-feira um "acordo histórico" com Kiev sobre os direitos da minoria húngara residente na Ucrânia, ponto de discórdia de longa data entre os dois países.

A Ucrânia solicitou a adesão à UE em fevereiro de 2022, após a invasão russa, tornando-se rapidamente um país candidato, em junho do mesmo ano.

As negociações de adesão começaram oficialmente em junho de 2024, mas o antecessor de Magyar, Viktor Orbán, bloqueou a abertura dos seis blocos temáticos que organizam os 35 capítulos técnicos, etapa que exige o acordo unânime dos 27 Estados-membros em cada fase do processo de adesão.

O impasse de dois anos levou Bruxelas e Kiev a iniciarem conversações informais para trabalharem a nível técnico em muitas das questões, de forma a terem trabalho adiantado quando as negociações pudessem arrancar.

Nos contactos com Kiev, Bruxelas tem expressado preocupação com a situação de corrupção no país e com o conflito em curso.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.  

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