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Projeto "ViViFiCAR" e Douro Vinhateiro de Silva Porto chegam ao Museu do Côa

Projeto "ViViFiCAR" e Douro Vinhateiro de Silva Porto chegam ao Museu do Côa

Uma exposição com 32 desenhos e uma pintura de Silva Porto (1850-1893), que percorre as paisagens do Douro Vinhateiro, é inaugurada na sexta-feira no Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda.

Lusa /
Nuno Patrício - RTP

No mesmo dia, também no Museu do Côa, será inaugurada "ViViFiCAR", mostra resultante de residências artísticas de Augusto Brázio, James Newitt e Lara Jacinto, realizadas na Mêda, em Torre de Moncorvo e Sabrosa, com base em casas de famílias da região, num projeto da Ci.CLO - Plataforma de Fotografia, que fez parte do programa de criação da Bienal`25 Fotografia do Porto.

"Silva Porto, a paisagem no desenho e na pintura" terá uma duração de cerca de três meses. Em declarações à agência Lusa, o curador da mostra, João Paulo Queirós, disse que esta vai trazer 32 desenhos e uma pintura, documentando o período de Silva Porto em Paris, através das anotações das paisagens feitas nessa época.

"Este é um testemunho da atividade deste pintor que introduz a pintura paisagista em Portugal. As obras vão mostrar a relação com o território. Silva Porto atravessa o país e interessa-se por procurar as raízes portuguesas e fazer a paisagem em Portugal, representado as aves, as oliveiras, os sobreiros, as vinhas existentes no Douro e no Minho", explicou João Paulo Queirós à Lusa.

A Natureza é a maior fonte de inspiração deste pintor, que cedo se afirmou a nível . Silva Porto compõe imagens do mundo rural, com uma luz e cor quase fotográficas. Ramalho Ortigão chamou-lhe "o Garrett da pintura portuguesa".

Reconhecido e aclamado pelos seus pares, Silva Porto é um dos nomes-chave das artes plásticas portuguesas na segunda metade do século XIX, um dos membros do chamado Grupo do Leão - tertúlia do café Leão de Ouro, em Lisboa -, imortalizado no quarto de Columbano, que reunia artistas como José Malhoa e os irmãos Bordalo Pinheiro, num desafio à tradição académica, apostados no Naturalismo e na afirmação da modernidade.

De personalidade reservada, este pintor nascido no Porto em 1850, aventurou-se na sua formação. Depois de completar o curso na Academia Portuense de Belas-Artes, foi bolseiro em Paris, estudou com os consagrados Yvon, Cabanel, Beauverie e Groseillez. Conheceu a Escola de Brabizon, de que fizeram parte Corot, Millet, Rousseau e Daubigny, mestres do Realismo francês que abrem a porta ao Impressionismo.

Na altura, Silva Porto expôs no Salon de Paris e na Exposição Universal com aplausos da crítica. Antes do regresso a Portugal, viajou pela Europa, para conhecer a obra dos grandes paisagistas. Em Itália pintou "Fiandeira Napolitana", uma das suas principais peças.

No regresso a Portugal, com menos de 30 anos, dirigiu a cadeira de Pintura de Paisagem da Academia de Belas-Artes e expôs nas principais salas. O seu nome fica firmado no país quando "A Charneca de Belas" é comprada para a coleção real.

De acordo com o presidente da Fundação Côa Parque, João Paulo Sousa, o Museu do Côa tem a preocupação de manter uma ligação entre a ancestralidade e a contemporaneidade, em termos artísticos.

"O sentimento do museu não pode ficar só restrito ao paleolítico. Temos de perceber que a RPAC onde estamos envolvidos é uma parceria evidente, para que se possa jogar com a ancestralidade e a contemporaneidade", vincou.

O responsável indicou ainda que na sexta-feira, e em paralelo a esta exposição dedicada a Silva Porto, abre uma outra, "ViViFiCAR", resultante do projeto da Ci.CLO - Plataforma de Fotografia, que tem em Virgílio Ferreira o diretor-geral e artístico.

Depois da mostra coletiva na Bienal`25 Fotografia do Porto e de três exposições individuais nos municípios parceiros - Mêda, Sabrosa e Torre de Moncorvo -, "ViViFiCAR" chega ao Museu do Côa, onde ficará até 31 de maio.

De acordo com a sua apresentação, o projeto "ViViFiCAR" abraça as ideias de "viver e ficar" enquanto eixos orientadores dos encontros imersivos entre artistas e as comunidades locais, a partir de estratégias participativas de criação.

Durante o ano de 2024, Mêda, Torre de Moncorvo e Sabrosa receberam os Encontros Vivos, acolhendo três artistas em residência - Augusto Brázio, James Newitt e Lara Jacinto -, que viveram em casas de famílias da região. Todo o desenvolvimento do projeto foi acompanhado por uma equipa curatorial composta por Gabriela Vaz-Pinheiro, Jayne Dyer e Virgílio Ferreira, com apoio de mediadores locais.

Segundo a apresentação da mostra no `site` da Direção-Geral das Artes, "do olhar de Augusto Brázio emerge um corpo de trabalho que reforça o sentido de pertença humana ao ecossistema envolvente de Torre de Moncorvo".

"Na instalação vídeo de James Newitt, a atividade mineira é examinada como metáfora - referenciando o passado, o presente e o futuro - ao mesmo tempo que alude a tudo o que permanece fora do alcance do olhar distante em Mêda".

Sobre o projeto de Lara Jacinto, a apresentação da mostra afirma que "o retrato surge com um magnetismo vertiginoso que sugere a possibilidade de uma relação tangível com a experiência do outro" e "o outro é, aqui, o imigrante, que conta a história de uma geografia fortemente marcada pela emigração".

Esta edição do projeto "ViViFiCAR", organizada pela Ci.CLO Plataforma de Fotografia, teve apoio da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal do Porto e, como parceiros, teve a Fundação Côa Parque e as câmaras municipais da Mêda, de Sabrosa e de Torre de Moncorvo, com mecenato do BPI e da Fundação `La Caixa`.

Os artistas Amadeo de Souza Cardoso e Nadir Afonso protagonizaram as duas últimas exposições no Museu do Côa, em 2015: "Nadir Afonso: Território de Absoluta Liberdade" e "A Marginália de Amadeo".

Desde 2022, as exposições mais visitadas do Museu do Côa foram "Paula Rego - Rotura e Continuidade" (60 mil pessoas), "Dark Safari", a partir da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (38 mil), e "Mapas da Terra e do Tempo", de Graça Morais (37 mil pessoas).

As duas exposições a inaugurar no Museu do Côa enquadram-se na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC).

Criada em 2021, a REPAC é atualmente composta por 81 entidades, que congregam 97 espaços e equipamentos em todo o território nacional.

 

 

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